Frente ao dilúvio
que se estabeleceu por aqui nas últimas semanas, tornando o inverno úmido ao
invés de muito frio, lembrei-me da minha avó Elza. Dela e também do ferro de
passar roupas, do tanque para lavá-las e dos bolinhos de chuva para o café da
tarde naqueles intermináveis invernos.
Todos os dias, entre
um jogo de bola (o nome “jogo de futebol” nem lembro se existia!), de bolita,
de taco, de andar de carrinho de rolamento, tudo onde muito pouco importava o
tempo, porque este, o tempo, nunca foi empecilho para absolutamente nada, mesmo
que isso levasse muitas vezes à companhia da febre e daquelas tosses de “cachorro
louco”, precisamente às 16h, nem mais e nem menos, a mesa era posta para o
clássico “café da tarde”.
Sempre chegamos “em
bando” e igualmente nunca estávamos adequadamente preparados para sentar à mesa.
Afinal, a origem era um campo de barro, uma rua sem calçamento ou qualquer ação
que sempre esteve longe da limpeza. Enfim, éramos crianças e como tais a
preocupação gravitava e se estabelecia em outros nortes.
Café posto. Bolinhos
saltando da panela. Todos ansiosos para degustar a mais nobre iguaria daquelas
saudosas tardes.
Além deles, os
bolinhos, nunca deixaram de comparecer e descansar sob os pratos um pão
caseiro! Sim, o clássico pão caseiro, no qual absorvia a chimia, talvez a geleia,
de uva, de figo ou de abóbora. Alguns até gostavam de leite.
Foram incontáveis
banquetes. Foram deixadas muitas risadas. Muito ficou definitivamente em todos
nós.
Não sei como
acontece hoje.
NO
FIM
Nunca gostei muito
de bolinhos de chuva.
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