Seguidores do Victor Hugo

Páginas

Total de visualizações de página

terça-feira, 21 de julho de 2015

SENTIMENTO




 

                            Frente ao dilúvio que se estabeleceu por aqui nas últimas semanas, tornando o inverno úmido ao invés de muito frio, lembrei-me da minha avó Elza. Dela e também do ferro de passar roupas, do tanque para lavá-las e dos bolinhos de chuva para o café da tarde naqueles intermináveis invernos.

 

                            Todos os dias, entre um jogo de bola (o nome “jogo de futebol” nem lembro se existia!), de bolita, de taco, de andar de carrinho de rolamento, tudo onde muito pouco importava o tempo, porque este, o tempo, nunca foi empecilho para absolutamente nada, mesmo que isso levasse muitas vezes à companhia da febre e daquelas tosses de “cachorro louco”, precisamente às 16h, nem mais e nem menos, a mesa era posta para o clássico “café da tarde”.

 

                            Sempre chegamos “em bando” e igualmente nunca estávamos adequadamente preparados para sentar à mesa. Afinal, a origem era um campo de barro, uma rua sem calçamento ou qualquer ação que sempre esteve longe da limpeza. Enfim, éramos crianças e como tais a preocupação gravitava e se estabelecia em outros nortes.

 

                            Café posto. Bolinhos saltando da panela. Todos ansiosos para degustar a mais nobre iguaria daquelas saudosas tardes.

 

                            Além deles, os bolinhos, nunca deixaram de comparecer e descansar sob os pratos um pão caseiro! Sim, o clássico pão caseiro, no qual absorvia a chimia, talvez a geleia, de uva, de figo ou de abóbora. Alguns até gostavam de leite.

 

                            Foram incontáveis banquetes. Foram deixadas muitas risadas. Muito ficou definitivamente em todos nós.

 

                            Não sei como acontece hoje.

 

 

 

NO FIM

 

                            Nunca gostei muito de bolinhos de chuva.        

Nenhum comentário: