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quinta-feira, 16 de julho de 2015

FORMA




 

                            Pensei na revolta, nas Revoltas e também na conjugação do verbo que adiante se encaixará.

 

                            Estou revoltado com as “Revoltas”. Fixo hoje na Inconfidência Mineira, a qual, como sabido, foi um movimento da elite paulistana contra a Coroa Portuguesa em razão do preço cobrado pelo imposto na exploração do ouro, especificamente do ouro retirado na região da então Vila Rica, hoje Ouro Preto (qualquer semelhança com a Revolução Farroupilha não é mera coincidência, porém isso é outra história).

 

                            Na semana que passou escrevi sobre os símbolos, especificamente os relacionados ao número três. Esta coluna amolda-se como uma luva também em relação a tal fato, pois é só lembrar da bandeira mineira ou da inconfidência ou, ainda, do artista mulato, filho de escrava, quando assinava sua obra.

 

                            Pois é. A história é rica, contudo não somente a história, mas especialmente os seus personagens principais. Até aqui, nada especial. O que marca toda a engrenagem que fez o movimento trafegar é exatamente a exploração da mão de obra escrava. Foram os negros, que mutilados em seus testículos para evitar o crescimento natural, a procriação, que eram mantidos, a banana e leite, dentro das minas retirando ouro para a Coroa e para a Elite branca. Eram as negras que deveria experimentar o teste da fertilidade, sob pena de serem consideradas descartáveis, em qualquer sentido. Enfim era como contam, a exploração do ser humano pelo ser humano que deu sustentação não só a Coroa Portuguesa, mas, sobretudo, a própria revolução industrial em terras inglesas.

 

                            A razão que permeia a história é muito simples: exploração, ganância e ao final o selo de herói para quem muito provavelmente não mereceu o título. Corrijo: evidente que nunca mereceu a honraria.

 

                            Apesar disso tudo, temos feriados, congratulações e um universo que hoje gravita em torno da história. E tal história, outra vez, como sempre, é protagonizada por muitos e usufruída por muito poucos. Temos, também, um enforcado que fora decapitado, condição ao final que contradiz tudo o que fora vendido.

 

                            Tudo é igual. Tudo é repetição.

 

NO FIM

 

                            Na época não havia celular para selfie e o artista mulato foi Aleijadinho.

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