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quarta-feira, 29 de julho de 2015

O VELHO




 

                            Em uma manhã comum nesta semana, passando o habitual café, entre os aromas que naturalmente exalam e uma ou outra olhada pela janela, surpresa: um barulho forte! Olhei fixamente para todos os lados possíveis e avistei dois pássaros, caídos, talvez mortos, no chão ao lado exatamente da janela.

 

                            Certamente curtiam um voo em velocidade superior e inadvertidamente, por não enxergarem o vidro, achando que estavam longe dos obstáculos, acabaram por bater, mas não simplesmente isso. Acabaram nocauteados por uma colisão frontal inesperada.

 

                            Eram dois pássaros, de porte médio para grande. Conheço pouco, mas achei próximo a um sabiá. O canto poderia esclarecer. Porém, quem canta após uma forte pancada na cabeça? Cheguei perto, sem saber muito (ou nada) o que fazer; pensei em chamar o Véinho, fiquei apreensivo - e nada é pior neste momento, chegando perto de ambos, analisando e imaginando uma massagem cardíaca (nem sei se é possível), quando a nova surpresa: o pássaro que estava desfalecido ressuscita e o outro, que parecia estar somente tonto, cai desfalecido! Apavorei-me em relação a um e tive alívio em relação ao outro, condições em que nada alteraram o meu estado primitivo de angustia.

 

                            E agora?

 

                            Vou chamar o Véinho.

 

                            Que nada, o desfalecido posterior igualmente inicia um processo de recuperação. Claro, os dois ainda nem tinha retomado a consciência (pássaro tem consciência?) de que seriam pássaros, mas estavam caminhando para tanto.

 

                            Fui ficando aliviado aos poucos. Finalmente os bichos estavam se recuperando e eu também.

 

                            Fiquei também feliz, após tudo restabelecido, café passado e com a certeza de que a conspiração telepática possivelmente tenha ajudado de alguma forma. Brincadeira!

 

NO FIM

 

                            O Velho, do início, a quem rendo homenagens, é o Véinho ou o grande Osmar Schmidt, um genuíno e famoso protetor dos animais.

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