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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

ERAM TODOS




 

                            Estavam reunidos no mês do “cachorro louco” todos aqueles que também estiveram juntos no inverno de 95. Quase todos com menos cabelos e mais barriga. A única unanimidade é que ninguém parecia ser mais o mesmo.

 

                            Tudo caminhava de maneira ortodoxa e ordinária até que Justino, no alto de sua proficiência poética, lascou: alguém mudou sua predileção sexual? Foi um espanto geral. Houve um silêncio ensurdecedor. Carlinha deixou cair o copo. Martino correu para o banheiro. Todos atônitos, até que Pedrinho, filho da Marucha e Natanael, disse: o que é predileção? Todos respiraram, por um momento, aliviados.

 

                            Amélia, que era a professora de todos, por isso também a mais experiente naquele reencontro, disse que Justino só poderia ter visto a consolidação de sua loucura, da qual ela nunca duvidou, para fazer uma pergunta daquelas. Acrescentou: ele precisa de ajuda.

 

                            Patrícia, que sempre foi a musa do grupo, deu uma leve risadinha com um pequeno movimento do lábio inferior e cutucou Japinha: acho que a noite promete!

 

                            Justino, mesmo para desconforto de alguns, continuou. Disse que não estamos mais em 1995 e que 20 anos são duas gerações e isso leva novas perguntas.

 

                            Antes que alguém pudesse frear o ímpeto e tentar de alguma forma se oferecer para levar Justino passear, começou a tocar no pen drive, que ninguém sabia de quem era, Dolores Duran e a música Por Causa de Você. Todos se olharam, mesmo aqueles que não queriam. Ninguém mais falou. “Entre, meu bem, por favor; não deixe o mundo mau lhe levar outra vez; me abrace simplesmente; não fale, não lembre, não chore, meu bem....”.

 

                            Amélia, que não mais ouvia direito, porém sabia tudo, perguntou se era Maysa. Pedrinho disse que a profe já tinha falado a palavra preconceito na escola. Patrícia continuava ao telefone. Matino não apareceu mais. Marucha convidou o marido para irem embora.

 

                            Justino, que já ultrapassava a sexta dose, pensou em voz alta: deveria ter colado mais.

 

NO FIM

 
                            Tudo caminha.    

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