Com a licença devida, não conseguirei deixar passar in albis a edição do Rock in Rio 2011. A nostalgia me cutuca para que eu diga alguma coisa, mesmo que “alguma coisa” seja praticamente nada.
Na primeira edição do evento, lá atrás, em 1985, eu tinha 14 anos de idade. Lembro da loucura que foi tudo aquilo. Da expectativa de nós, então jovens, de poder ver, no Brasil, aquelas lendas que sempre estiveram tão longe, que o acesso era notadamente e especialmente pelos discos de vinil.
Aguardávamos pela televisão, depois de todas as novelas possíveis (coincidências? Sempre haverá!) a apresentação do Queen (extraordinária performance), AC/DC, Iron Maiden, Rod Stewart, James Taylor, Ozzy Osbourne (fantástico), Whitesnake (Coverdale como na época do Deep Purple), Yes, entre outros.
Também foi o que o rock nacional precisava. Bandas como Barão, Paralamas, Kid Abelha, o Pepeu Gomes, Lobão, tiveram um salto que revolucionou toda uma geração com reflexos que ainda gravitam.
Mas o evento também foi a tradução de um grito pós-ditadura. Restavam ultrapassados somente alguns anos após a anistia e todos ainda estavam engasgados. O conceito de liberdade, ou da nova liberdade, ainda era recente. Buscava-se saber até onde seria possível ir. Ou mesmo se estava liberado para se ir a algum lugar. Enfim, tudo era novo, tudo era fantástico.
Hoje, com todas as mudanças conhecidas, a áurea é diferente. Contudo a alegria, o contágio estabelecido na apresentação do Motörhead, Sepultura, Metallica, Elton John e outros que virão, traduzem sim e também o novo momento de todos.
Por isso, sem ingressar no âmago de todo o contexto, que bom que o evento ainda permanece em pé.
NO FIM
Pena que algumas faltem e outras apareçam sem ao menos serem percebidas.
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