UM EVENTO
Toda estreia causa um sentimento que mistura alegria, ansiedade, expectativa e notadamente, para os que obviamente o tem, um espírito renovador.
O momento é ímpar. A convergência dos elementos retrata que, além dos acontecimentos corriqueiros, que perdem em importância somente por serem corriqueiros, estamos a ingressar na maior de nossas festas. Talvez não seja a mais importante, talvez não exista uma mais importante, pois, a importância não pode ser medida por um único viés. Entretanto, a grandeza, hoje potencializada ao patamar de internacional, faz com que o nosso rodeio crioulo e festa da comida campeira, agregando aos doces correspondentes, nos encham de orgulho e satisfação.
É o nosso produto e dele devemos reverência e aplausos. Até pessoas como eu, nativamente urbano (se é que me entendem), crioulo da cidade, ficou contagiado com a energia que emana sobre aqueles que estão umbilicalmente ou mesmo superficialmente envolvidos. Tudo faz parte de um ritual, como, aliás, a ritualística comanda nossa vida.
Estarei lá sim, como praticamente todos. Minha participação, todavia, será proporcional ao meu conhecimento, ou seja, pequena. Contudo, será intensa, notadamente em relação aos convites que espero receber para apreciar a culinária, onde buscarei, especialmente, aprender ainda mais no manuseio das panelas a essência de nosso povo.
Também, vou visitar todas as edificações possíveis. Tenho a informação de que as residências lá construídas são de uma beleza particular; que há, dentro do universo campeiro, construções de envergadura que impressionam. Mas, com certeza, não irei olvidar aquelas outras, que senão importantes pela estrutura, com certeza, igualmente importantes pela sua razão de existir.
Enfim, entre o saber que o cavalo possui quatro patas e que a revolução farroupilha ainda mantém algumas dúvidas e contradições pouco exploradas, estou dentro desta roda, e buscarei com ela apreciar o que de mais importante percebo nessa confraternização gaúcha: as pessoas. Todas as pessoas.
RESULTADOS
O movimento é intenso e as relações estão, como sempre, interligadas. Percebo a saída da rotina, a busca pelo novo, pelas novidades que se expõem quando tudo inicia outra vez. Enfim, visualizo - ou tento – o repaginar.
Nesta esteira acompanho os últimos dias do horário de verão, os quais indicam o retorno dos calçados escolares, o reencontro de algo que somente assim o chamam pelo convívio diário; da natureza humana querendo o mais sobreviver.
O verão traz consigo questões muitas vezes desconexas ou pouco honestas. Todos ficam mais felizes, mesmo com temperaturas elevavas ou, talvez, pela própria elevação dela. Contudo, a alegria que emana mais delicada, mais fácil em momentos acalorados, igualmente apresenta a contradição química do descompasso orgânico, por vezes retratado em muitos poemas.
Sabemos todos – ou deveríamos -, que é na solidão e no cansaço que o ato falho desabrocha. É neste momento que a razão dá o seu alerta final. É, sim, a honestidade do espelho com o retratado.
O mais interessante disso é que a expectativa do que está por vir nos transforma em alimentadores de ilusões. Ou, ao menos, em pseudoenganadores de si mesmo.
Quanto o outono chegar e as lareiras começarem a ser ligadas a transformação estará completa. Não pelo motivo de que o outono seja ao cabo a melhor das estações; não porque o outono produz as melhores paisagens; não porque o outono tenha o clima mais aprazível; não porque seja no próximo outono que farei 40 anos. Mas, simplesmente, porque é outono.
A contextualização dos fatos trazidos para as linhas de uma escrita sugerem uma reação. Tal condição é balizada pelo escritor. O sentido coletivo que se juntará terá o efeito de aprimorar. Ao contrário nada mais fará sentido.
Por isso, sem qualquer medo de errar, acredito sim em quase tudo, mas não duvido, nunca, das estações.
JUIZ
Foi – e continua sendo – intensa e importante a repercussão quanto ao episódio que envolveu um juiz de direito que teve sua demissão referendada pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça na sessão do último dia 7 deste mês.
A decisão foi unânime, a partir do voto proposto pelo desembargador Luiz Ari Azambuja Ramos, que argumentou, em síntese, “que a certeza dos fatos está alicerçada na firme versão” dos acusadores.
Pois bem, do que se conhece da versão apresentada pela imprensa, inclusive do próprio TJ/RS, não consigo perceber absolutamente relevantes razões para a medida extrema. Repito: do que extraio dos fatos apresentados fora do expediente administrativo.
O servidor público não praticou qualquer ato que sugira, minimamente, para a solução encontrada no processo administrativo disciplinar. A ação principal, qual seja, do diálogo com proprietários de um comércio, ao que se conclui, permaneceu entre o magistrado e os proprietários, exatamente os delatores da situação junto a delegacia de polícia. Não se fala em momento algum de testemunhas.
Ainda, não absorvo eventual gravidade na conversa. Não registro qualquer ação que sugira uma atitude imprópria, a não ser uma conversa de bar/sorveteria/secos e molhados, etc. Não consigo entender como esta simples ação pode ocasionar a medida capital.
Igualmente, e isso os operadores do direito sabem muito bem, o fato de responder por outros expedientes administrativos não sugere obrigatoriamente que haja culpa. Há sindicância e, se assim o for, um processo administrativo. Porém, pelo simples fato de responder o expediente não sugere culpa, ou, ao menos, culpa ou não culpa, na mesma proporção.
Essa inédita situação me fez refletir, considerando o que está posto, aceito e conhecido, que esse juiz de direito, ou ex-juiz de direito, pode sim buscar a reforma dessa decisão judicialmente, notadamente a partir de princípios constitucionais que me parecem foram violados ou, pelo menos, interpretados relativamente.
Sei que talvez essa não seja a intenção do servidor demitido, pois alega não mais querer nada com o poder judiciário. Entretanto, que seu direito seria enfrentado de uma forma mais abrangente, isso sei que seria.
REFLEXÃO
A sensibilidade humana é tocada profundamente quando aos ouvidos chegam acordes que traduzem o som de uma música, desde que, é claro - e obviamente na minha opinião -, não seja um axé ou música sertaneja. Nestes casos, além da impossibilidade da emoção ser aflorada o sentimento mais se aproxima a um suicídio iminente.
De outro norte, a madrinha Rita disse: “ dia desse resolvi mudar, fazer tudo o que queria fazer”. Belchior, o “uruguaio”, afirmou que: “minha alucinação é suportar o dia a dia e o meu delírio são experiências com coisas reais”. Já Raul, por sua vez, alertou: “quando o navio finalmente alcança a terra e o mastro da nossa bandeira se enterrar no chão, eu vou poder pegar em sua mão, falar de coisas que eu não disse ainda não”. Ou Cartola, especialmente na voz de Cazuza: “preste atenção querida, embora eu saiba que estas resolvida, em cada esquina cai um pouco a tua vida, em pouco tempo não serás mais o que é”.
Outras, no entanto, cravam como uma lança no peito, sem ser dito uma palavras sequer: Astor Piazzolla em Adios Nonino e, com palavras, em parceria com Amelita Baltar (esteve em Porto Alegre ano passado) na espetacular balada para un loco.
Por que isso? Porque o ser humano também é isso. É razão, mas é sim emoção. Talvez seja esse sentimento, ou a falta dele, que a rota da história nós traz, como sempre, a desarmonização traduzida nessa onde de guerras e mortes que assolam especialmente o oriente médio. Que malditos ditadores (tivemos os nossos também) ainda permaneçam entre nós; que bizarros governantes que mantém uma dinastia, por vezes secular, sejam ainda detentores de um botão que pode decidir pela vida ou pela morte de muitas pessoas.
Achei engraçado, e posso estar mal informado, como ainda a igreja católica não se manifestou; é sua especialidade ser o arauto da mensagem hipócrita. Esqueçamos as cruzadas, esqueçamos a inquisição, agora, como sempre, leremos um comunicado aos fiéis, em um sem número de línguas, sobre o que não se deve fazer. É muito cômico tudo isso. E olha que gosto demais do papa, especialmente de sua coleção de sapatos vermelhos e sua relação com os ensinamentos de Hitler.
Por isso, a música acalma, mesmo que muitos foram e são executados ao som nobre de uma sinfonia. Acho que vou comprar o cd de um padre, qualquer um e qualquer padre, pois praticamente todos agora também se expressam assim.
CICLISTAS
Foi naturalmente lamentável o episódio ocorrido no último dia 25 de fevereiro em Porto Alegre, onde diversos ciclistas foram colhidos por um automóvel proporcionando imagens chocantes que viajam o mundo.
Evidente que o motorista do veículo não estava, sob qualquer prisma, autorizado a agir da forma sobre a qual agiu. Mesmo que estivesse acuado ou ao menos sentisse receio por sua integridade física e/ou de seu patrimônio, em absolutamente nada autorizaria a ação descomedida que promoveu.
A situação está alimentada por fatores abrangentes e se renova pela gravidade da ação. Isso tudo é verdade!
Agora, linchamento público. Cadeia imediata para o protagonista. Inversão, como todo sanguinário adora: primeiro vamos prender, depois vamos fazer a apuração dos fatos, a partir do respeito ao direito a ampla defesa e ao contraditório. Desculpem-me, mas desta forma não posso concordar.
É claro que a ação foi grave. O agente causador deverá sofrer um processo judicial, o qual poderá resultar em condenação. Agora, primeiro condenar e depois buscar resguardar o direito constitucional da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, convenhamos não podemos continuar incorrendo sempre no mesmo erro.
A prisão deve ser o último ato. A prisão é o resultado, à exceção de condições excepcionais que, apesar dos fatos, não se traduz no acontecido.
Talvez, passado o primeiro impacto, possam as autoridades pensarem e agirem, dentro das políticas públicas, em organizar o trânsito harmônico entre pedestres, veículos e ciclistas, que naturalmente buscam em sei mio de transporte a garantia de um mundo mais puro e mais humano.
SCLIAR
Não poderia deixar de registrar o falecimento do grande Moacir Scliar, homem que sendo comum era infinitamente diferente. Aos que me derem licença, sugiro a leitura imediata de duas de suas obras: O Exército de um Homem Só e Mês de Cães Danados.
MALDADE
A convivência em sociedade é tão complicada que foi resumido por Rousseau: o homem nasce bom, sendo o meio que o corrompe.
A grandeza das pessoas deve ser medida por seus atos, por tudo aquilo de bom, de importante ou mesmo pelas ações praticadas após episódios lamentáveis.
Nesta esteira nasce a mais deplorável das ações que somente o ser humano é capaz: ser falso, ser hipócrita, mau caráter e especialmente maldoso.
A maldade é inerente ao ser humano, somente a este animal. Todos os demais não conseguem, não possuem esta necessidade, de retratar o que há de mais negativo na convivência humana em sociedade.
Percebo, em grandes proporções, que muitas pessoas se alimentam disso. Nutrem uma razão, por vezes ardilosamente silenciosa, para agir assim.
Agora, o mau caráter clássico é sempre desvendado. Ele se esconde, porque a hipocrisia também é seu alimento, mas se desnuda naturalmente, por vezes da mesma forma com que tenta esconder-se.
Tal condição é potencializada quando a execração é pública. A atitude é de humilhação extrema, mesmo que esta condição seja vista com reserva por aqueles que já acampam cabelos brancos.
Espera-se, ao menos, desses protagonistas, que exponham sua face. Que se apresentem e digam: eu sou assim. Que não se coloquem sobre o manto da invisibilidade, a qual por óbvio terá sustentação efêmera.
Disso tudo ficam, parafraseando, de qualquer forma Fernando Sabino, algumas verdades: caráter é para poucos; atitude e ação são para menos ainda; e a verdade somente será conhecida por aqueles que conseguem despir-se do próprio sentimento negativo.
É uma pena que seja assim, que sempre foi assim e que, ao contrário de tudo, não há perspectiva que algo mudará.
PARDAIS, GALINHAS E OUTROS BICHOS
O barulho já aconteceu e tomou proporções continentais. Lagoa Vermelha está também no centro disso tudo. Guardadas as proporções, tivemos um terremoto no Japão de intensidade ou magnitude igual a 8,9 graus na Escala Richter (o maior registrado chegou a 10). Aqui, qual a intensidade ou a magnitude da notícia que foi publicada no último domingo e que envolve Lagoa Vermelha? Quais os maiores atingidos?
É evidente que tudo depende de uma investigação aprofundada das autoridades (Ministério Público, Polícia, Tribunal de Contas, etc.), até para que se encontrem os responsáveis pelo evento e igualmente o limite desta mesma responsabilidade. Contudo, parece evidente que algo está muito errado. Há cheiro de complicações, de ações ou omissões que poderão reverter em consequências importantes.
Lembro, e posso evidentemente estar equivocado, que o nascituro disso tudo foi a aproximadamente cinco ou seis anos quando da instalação das lombadas eletrônicas e semáforos em nossa cidade. Uma verdadeira avalanche de multas foi registrada. Aconteceram inúmeros recursos para a Junta Administrativa de Recursos de Infrações (JARI). Ingresso de ações judiciais, enfim muitos procedimentos.
Agora, passado este tempo, vem a notícia de que a empresa responsável pela instalação e manutenção das lombadas pode, e eu digo pode, estar envolvida em alguma esquema de fraude, onde estariam também servidores, agentes políticos, agentes públicos, evidentemente causa um impacto. A proporção e magnitude poderá ser medida simplesmente pelas conversas e notícias em todos os noticiários que parte também da chamada “grande imprensa”.
Ao mesmo tempo, que não se deve ver sangue onde ele não está presente, igualmente não se pode ser ingênuo ao ponto de desconhecer que as imagens, as pessoas citadas, as empresas, definem a necessária explicação de todos, especialmente daqueles que tiveram envolvimento direto nas tratativas e negociações. Isso será bom para todos, especialmente para aqueles que sustentam incrédulos tudo isso.
Vejo nessas situações, como, aliás, defendo sempre, nos exatos termos da Constituição Federal, que todos são inocentes até prova em contrário. Todos têm o direito de apresentar a sua versão, do contraditório e do devido processo legal.
Isso não sugere qualquer comprometimento, mas sim a garantia de que todos poderão defender-se, da forma que entenderem mais adequada. Agora, desconhecer as imagens, que registram claramente a falcatrua, bom isso fica para cada um.
PARDAIS, GALINHAS E OUTROS BICHOS
Não queria, confesso! Porém terei que expressar em algumas curtas observações todo o evento e todo o contorno que trouxe Lagoa Vermelha ao cenário nacional, nesses últimos dias.
Em toda a análise, notadamente quando a vinculação é trazida com algazarra (gosto dessa palavra), com gritos, parto do pressuposto de que deve ser respeitado o direito dos acusados, a partir da Constituição Federal, ou seja, do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. Por essas e por tantas outras razões que sempre o final deve ser o final e nunca o início, se é que me entende.
Pois bem, a pauta são os equipamentos eletrônicos, lombadas, semáforos, pardais, que foram criados com dois objetivos especiais: um de punir e outro de cunho didático. Punir, porque essa é a maneira encontrada no sistema para poder frear ações contrárias a norma; didático, para educar o infrator, sempre objetivando que, uma vez sofrida a sanção, tal condição irá comprometer uma eventual, futura, possível, nova infração.
Agora, esse material utilizado como ferramenta estatal para o combate de ilicitudes é trazido como instrumento de corrupção. Foi sustentado, com imagens, com protagonistas desmascarados, que há sim um sistema de corrupção e de “esquemas” para instalação, funcionamento e fraude, considerando os equipamentos que nasceram para auxiliar no cumprimento da regra.
Partindo da constatação de que existe a falcatrua, passou-se a buscar o (s) responsável (is). Quem estaria por trás desses crimes? Quais as empresas que, efetivamente, em conjunto com agentes políticos, públicos, servidores, ou qualquer outro, tratam de burlar a lei? Quem está ganhando dinheiro com isso? Desde quando o procedimento existe?
São inúmeras outras as indagações, que devem e merecem ser solvidas. Antes, disso, porém, qualquer juízo será relativizado pela necessária investigação, a qual teve o seu nascimento pela ação da imprensa, isso é bom que se frise.
Entretanto, não se poderá caminhar com ingenuidade. Não poderá o povo ser subestimado. Todos estão sedentos de informações. A população quer saber: o que aconteceu, se aconteceu, quem fez e quem não fez. As imagens, como dito, confirmam os fatos. Agora haverá de serem aguardados os próximos capítulos.
As barbas estão de molho. Ações pontuais e imediatas já se foram apresentadas. A expectativa é grande. O futuro trará a resposta.
DEMOCRACIA
Democracia ao fim e ao cabo é o governo do povo para o povo. É o sistema “menos ruim” encontrado para acomodar as relações sociais, o regramento, os limites e as ações.
Democracia autoriza a manifestação, a exposição de ideias e pensamentos, sem que o expositor, dentro dos limites de sua responsabilidade, veja castrado o seu direito de expressão.
Na medida em que um cidadão apresenta a sua opinião sobre fatos, de onde é buscado um contraponto proporcional, inteligente e eficaz, a consolidação do sistema está alcançada.
Aliás, o sistema como um todo busca exatamente isso: fazer valer e garantir o direito à voz, para que aprimorado se chegue ao fim comum ou ao bem da vida.
Pois bem, estabelece-se uma discussão sobre uma ação originada na administração municipal que envolve interesses de terceiros e ao fim e ao cabo da população em geral.
Tal acontecimento surge após passado um hiato silencioso, que nada obstante aos posicionamentos pontuais e oportunos ocorridos, dormiu em seu berço, que talvez era esplêndido, até uns dias passados.
A discussão retornou à baila. As pessoas buscam informações. Nada de caça às bruxas, mas de transparência e publicidade. Nada estando fora dos ditames que o regramento estabelece tudo na mais perfeita ordem, absolutamente nada merece ser revisto. Por outro lado, havendo alguma migalha de possibilidade quanto ao fato restar contaminado, não importando por quem, isso merece uma investigação, o que não sugere responsabilidade imediata.
Entretanto se o direito garantido pela democracia sugerir contraponto em gritos gagos, o round reivindica ações mais contundentes.
Espero que a discussão permaneça no campo das ideias, dos fatos e das explicações necessárias por quem deve explicações. Nada mais do que isso.
Continuaremos aguardando os capítulos que surgirão, que ao que se desenha virão apimentados e carregados de dor, mas que, certamente, serão a maior contribuição para a democracia, para o povo e pelo povo.
Zé, simplesmente Zé
Todos estão falando, escrevendo, reverenciando, o que todos deveriam mesmo fazer. Saudar o José Alencar, ou simplesmente o Zé, como muitos o fazem, é traduzir um sentimento que expressa sim o sentir do brasileiro.
A importância desse mineiro, silencioso como a maioria dos conterrâneos, articulado como os capazes e eficazes como os vencedores, é muito mais profundo do que se parece.
Uma condição decisiva para que Lula vencesse sua primeira eleição foi a participação do seu Vice-Presidente. A partir do momento em que José Alencar foi alçado a companheiro de chapa, os receios em relação a Lula foram gradativamente sendo superados. Os colegas, grandes empresários em sua maioria, lançaram um olhar menos rançoso, menos temerário em relação ao então candidato do Partido dos Trabalhadores.
Antes do Zé Lula era um eterno “segundo colocado”. Com o Zé, Lula passou a ser um vencedor imbatível. O Zé foi tão importante quanto o próprio candidato para a vitória das urnas.
Mas o Zé foi muito mais do que isso. Passou de um simplório vendedor para um empresário reconhecido internacionalmente e um político com portas abertas em todos os lugares. Porém, tudo isso não foi o mais importante.
O Zé protagonizou ao povo brasileiro um sentimento de solidariedade somente comparável a Tancredo Neves. Zé convergiu todos numa corrente de luta e de alegria à vida. . Revisou o conceito de vida e morte e lançou, em sua reta final, todos os olhares para um horizonte já definido O Zé foi antes de tudo um vencedor.
Aos vencedores às glórias e as homenagens. Ao Zé todas elas.
NO TEMPO
As explicações foram satisfatórias? O foco da discussão foi maquiado? Vocês decidem.
PRECONCEITO
Segundo a enciclopédia livre, preconceito (prefixo pré- e conceito) é um "juízo" preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude "discriminatória" perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou "estranhos". Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo social, ao que lhe é diferente.
A celeuma criada pelas declarações do deputado Jair Bolsonaro, a qual foi considerada ofensiva a negros e homossexuais, tem dado o que falar. As posições são muitas, como deve ser. Na defesa, no ataque e na indiferença. O fato é que a discussão sugere uma reflexão, que senão retórica, a partir de uma base de pontualidade quanto ao tema.
Evidente que qualquer discriminação deve ser combatida. O mundo está em evolução e apesar de que no quesito “preconceito” caminhe ainda em passos de tartaruga, os avanços são sentidos em muitas áreas e de muitas formas, ao exemplo das decisões hoje firmes do Poder Judiciário quanto aos direitos dos homossexuais.
Entretanto, o tema deve ser analisado e visto dentro de um contexto lógico. Utilizar sua importância para dirvirtuar o sentido da discussão é tão nefasto quanto o próprio preconceito.
Bolsonaro não é “corajoso” como estão dizendo. Porém, apesar de sua atitude infeliz, igualmente não poderá ser visto como um vilão na forma literal.
O deputado, após a discussão estar em todos os cantos, argumentou que a resposta a pergunta a Preta Gil não estava vinculada a cor negra de sua pela, mas as condições de vida da mesma, ou seja, porquanto ter declarado viver em condições pouco ortodoxa para os padrões exigidos pela sociedade. Disse, também, que foi pinçada uma declaração sua, dentro de uma argumentação maior, e lançado como bandeira do preconceito.
Oportunismo? Explicação eficaz?
O fato é que, ao meu ver, não se trata de nem uma coisa nem de outra, simplesmente é uma forte bobagem trazida a público por dois personagens risíveis.
O Brasil é risível, especialmente quanto a busca do aprimoramento da reflexão sobre temas recorrentes e que são vistos, estratégicamente, como pontuais. Também, convenhamos, quem são os formadores de opiniões? Deixa pra lá.
NO FIM
O assunto que o deputado Marchezan Júnior trouxe a discussão irá esquentar. Isso será e renderá outras escritas e outras falas. Aguardaremos.
FALCÃO, SUA MAJESTADE
O maior centromédio - ou volante para os modernos - que o futebol mundial teve a felicidade de produzir. Elegante, moderno, eficaz, invejado, vangloriado, reconhecido, enfim o oitavo Rei de Roma.
O título de nobreza atribuído a alguns jogadores de futebol passa por Ademir da Guia, o “Divino Mestre”, ou recentemente por Adriano, o “Imperador”. Hoje até pode ser comum esses adjetivos, o que os torna menos importante.
Entretanto, falando das décadas de 1960 ou 1970, esse “título” era um título. Falcão o teve, na Europa, e isso é o termômetro de sua história e de sua importância.
Evidentemente que não faz parte do currículo do Rei de Roma, bebedeiras, confusões, fugas de concentrações, futevôlei, falar chiado só porque residiu algum tempo fora dos pagos, essas coisas todas.
A probabilidade de dar certo é a mesma de não dar. No futebol é assim. Capacidade e credibilidade são incontestáveis. Isso é parâmetro, isso é indicativo.
ANTEPENÚLTIMO
Registro as escusas devidas e necessárias por um crasso equivoco (palavra que se utiliza para justificar de forma amena um erro) no escrever uma palavra na última coluna, quando fui traído pelo teclado. Talvez não venha a ser salvo por isso.
NO FIM
Senhoras e senhores perdoem-me a intromissão, pois em época onde os crimes “de primeiro mundo” se agasalham sobre o solo brasileiro, trazendo o “desenvolvimento” também neste aspecto, percebo que ainda é proibido o consumo de carne na sexta-feira santa, segundo a orientação cristã. O que vocês acham? Não vale responder quem comercializa peixes.
O BOBO DA CORTE
O bobo da corte era o nome do “empregado” da monarquia encarregado de entreter o rei e a rainha, com o fito de fazê-los rirem.
O bobo da corte, por sua condição de “bobo”, também poderia ser a única pessoa autorizada, oficialmente autorizada, a tecer críticas à monarquia, ao rei ou a rainha, sem que tal fato fosse visto com desaforo ou insubordinação.
Enfim, o bobo da corte talvez fosse à pessoa mais idiota e ao mesmo tempo mais importante naqueles tempos e naquela monarquia.
Pois bem, qual o tamanho do poder do bobo da corte?
A linha transversa de ação, notadamente com necessária inteligência, atrevimento e sagacidade, eleva-o a condição de figura essencial para o equilíbrio entre o povo, a vontade do povo, os monarcas, e as necessidades dos monarcas em ultrapassar os limites do silêncio imposto.
Muitas pessoas, diria uma parcela importante da população, necessitam mostrar as nuances de sua face. Contudo, tal mostra não pode ser muito clara, digo clara no sentido de sequer referendar a concordância. A exposição deve ser velada e ao mesmo tempo incisiva, porque o sentido e o objetivo é a própria mistura disso tudo.
A partir de então, surge o bobo da corte. Ele é exatamente o elo que toca a necessidade de uns, o caminho definido e a consequente abertura das cortinas.
Nesta esteira, vejo monarcas e bobos da corte por todos os lados. Alguns estão na engrenagem sem mesmo saber. Outros, a maioria, que fixaram seus papéis e os exploram de maneira muito eficaz.
Quantos personagens nos rodeiam e estão em cada uma dessas condições? Cuidados aos “aparecidos”.
NO FIM
Apesar de todas as mudanças, de toda a modernidade, do ipad, ipod, ifone, ainda bem que a sexta-feira santa ainda continua caindo numa sexta-feira.
CONVERSAS AO VENTO
Caminho sob o manto do Pratto chileno, das cazuelas de carne ou de aves, das parrillas, do congrio frito, do mariscales, do cordeiro, entre tantos, que podem ser saboreados com um autentico cabernet sauvignon, sob a benção da religião católica, tudo junto, num evento continental. Que maravilha! Que êxtase visualizar o “carioca” com cara de professor pardal. Esperem, muito mais virá.
Falando em faces e fases, a mudança de quem acaba de ultrapassar quadro décadas já pode ser sentida, com propriedade, através dos fenômenos naturais do tempo. Cabelos brancos, artrose, gripes teimosas, recuperação lenta após evento etílico normal, enfim, absolutamente tudo passa ao estágio da ladeira.
Uma alternativa pode ser a criação de meios para obstaculizar a velocidade desse veículo. E como estamos em tempo de lombadas eletrônicas e pardais, o freio deverá ser necessariamente vinculado a uma sanção.
Mas não, de nada adianta qualquer procedimento se mantivermos nossa ideia deslocada do tempo em que ela se move. Não adianta o atraso ou a aceleração. A linha de conduta deve ser convencionalmente transgressora, pois, ao contrário, seremos tão somente protagonistas da banda que passa.
Muitas vezes os instrumentos são difíceis de ser tocados. Outras vezes a facilidade é um sintoma. O caminho é exatamente assim, queiramos ou não.
Em suma, não há regra. Existem ações, reações, pontualidade e conduta. E tudo é consequência.
NO FIM
Prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.
TUTELA JUDICIAL
Recebo um e-mail com a informação sobre um processo judicial, o qual tramitou perante o foro trabalhista do Espírito Santo, de uma particularidade gritante, ao menos considerando o meu restrito conhecimento.
Uma mulher, alegando sofrer de uma enfermidade por assim se dizer sui generis, ingressou com um pleito judicial buscando o direito de ver garantido um intervalo de 15 minutos a cada 2 horas trabalhadas para, acreditem, masturbar-se.
O argumento para ver agasalhado o seu pleito foi de que sofre de uma compulsão orgástica, causada por uma alteração química em seu cérebro, e por tal motivo necessita constantemente “aliviar suas tensões”.
O pedido foi deferido pela Justiça do Trabalho, sendo que, inclusive, à postulante foi alcançado o direito de utilizar o computador da empresa para acessar imagens eróticas que alimentem o seu desejo.
O que vocês acham? Não é fantástico o pedido e o seu resultado?
OSAMA
Comungo do raciocínio de que a eventual ofensiva, ou falta dessa, para matar Osama, não passa de uma estratégia política dos comandantes do mundo.
O momento político, que é terrível para o Obama, quando se avizinha as próximas eleições americanas, sugere que algo especial deveria acontecer. E o que acontece? A notícia do assassinato do inimigo número um. Perfeito.
Até aí tudo certo, pois a intenção é exatamente o momento em que o impacto deve vir à tona. Agora, não apresentar o corpo, jogá-lo no mar, por quê? Se o mataram, utilizando exatamente os mesmos meios que Osama utilizava aos seus desafetos, além de serem todos iguais, qual o sentido de não apresentar o morto, como o fizeram com o Saddam?
Não parece que algo está fora do lugar?
NO FIM
A todas as mães, verdadeiras e únicas forjadoras de um fenômeno chamado vida, minhas reverências e minhas saudações.
TERRÍVEL
Começo por onde devo começar. Penso na equipe do Internacional, notadamente em relação aos dois últimos jogos, e vejo que foram esvaídas todas as expectativas de que o semestre poderia ser alegre.
Virou uma caricatura de time, de equipe, de conjunto, o qual, seguindo a ótica estabelecida, não fará frente a absolutamente ninguém. Aliás, sejamos honestos, não vinha fazendo frente a ninguém.
Não conseguir êxito contra o Peñarol, com todo o respeito devido aos uruguaios, semifinalistas da última copa do mundo, em pleno estádio Beira-Rio é inadmissível. É para fechar todas as contas.
Mas o pior estava por vir. Perder em casa para o outro time de Porto Alegre, e perder bem perdido, com um show de um jogador que é originário do Asa de Arapiraca, é definitivamente o final de tudo.
Não sei se está tudo errado, mas que uma parcela enorme de ações e atitudes está sim totalmente fora dos trilhos é fato.
O que esperar: daquele time, com Renan, Nei, Bolívar, Rodrigo, especialmente esses, absolutamente nada. Acho até que menos que nada, se isso for possível.
Que o universo conspire e alguém nos ajude, pois ao contrário os prognósticos são assustadores.
O SOM DO SILÊNCIO
O momento é de profunda reflexão, mais algumas tantas, que sugere como já disse Agualusa na obra As mulheres de meu pai, recorrer ao som do silêncio.
O som do silêncio pode ser ensurdecedor, pode ser um alerta, um conforto, uma definição, pode ser tantas coisas. Porém, algo é fato: o som está em todos os lados e em muitas formas.
Quem não teve medo, sob qualquer prisma, do som do silêncio? Aquele som que se estabelece sem existir e que aguarda os decibéis que podem a qualquer momento florescer. Caso não floresçam, o som permanece no ar, indefinido e muito poderoso.
O som do silêncio que precede algo muito ruim; que se manifesta após um evento sem que se escute absolutamente nada; os dois segundos de êxtase que antecedem o aplauso; e, voltando a Agualusa, o silêncio de Deus após uma catástrofe.
Os sons do silêncio são tantos, talvez você conheça muitos outros. Nada é taxativo e não poderia mesmo o ser.
O momento, como dizia no início, traz o silêncio como paradigma. Algo deverá ser feito. Porém, não somente isso, o “algo” deverá ser traduzido em ações diretas, pontuais e ao mesmo tempo amplas, a fim de que, para todos os efeitos, as consequências não se transformem num paliativo que simplesmente muda o problema de sala. O silêncio responderá.
Que o universo conspire e alguém nos ajude, pois ao contrário os prognósticos são assustadores, absurdamente assustadores, na medida em que o nocaute foi sincero, certeiro e irrefutável. Pior, a contagem está em nove e o dez se aproxima na forma imperial.
Há claro, por que sempre há um lampejo de que não venha acontecer aquilo que todos esperam. Isso, verdadeiramente, é a tradução e o sentido da lógica ao inverso. Penso nisso, ultimamente, com simpatia e expectativa.
NO FIM
Vamos, após o acontecido, empatar com quem?
PAIXÕES
Já foi dito, e concordo, que você pode mudar de tudo: de religião, de mulher/homem, de sexo, de costumes, de posicionamentos, de forma, de sistema, etc. Entretanto, tem algo que você não mudará nunca: a paixão.
Já escrevi e renovo pela importância do momento, que absorvi essa afirmação, com as definitivas propriedades, dentro do “oscarizado” Segredo dos teus olhos, onde o procurado, após ter sido vasculhada todas as possibilidades, somente foi encontrado dentro de um estádio de futebol assistindo a um jogo de seu clube.
Esse exemplo traduz de forma linear e sincera o que o futebol significa para as pessoas. E disso, lembro de um amigo que disse ser o seu time de futebol a única válvula de escape possível de confortá-lo para todos os problemas do cotidiano.
Devemos pensar, ou deveríamos pensar que uma partida de futebol não passa de uma partida de futebol. Nossos adversários são nossos adversários, nunca, portanto, inimigos. Talvez essa seja a maior dificuldade de muitos, a de não saber a distinção entre esses limites, que, penso, são tão cristalinos.
Aqui, nesse canto do país, temos o maior clássico nacional de futebol em termo de rivalidade, fato que, aliás, é reconhecido até mesmo pelos argentinos, que o consideram o segundo maior do mundo. Isso não é pouco, se tratando deles.
E traduzindo tudo em números, o Internacional é superior em absolutamente tudo: número de vitórias, gols, títulos, títulos em sequência, etc, e muitos etc. Tal superioridade, essencialmente em número de vitórias, já ultrapassa a 65 anos! O que isso quer dizer? Tirem as suas conclusões.
Todavia, tal evidente e indiscutível superioridade não poderá ser vista de forma contrária do que efetivamente indica. Ser superior deve levar a humildade e ao reconhecimento. Porém isso não sugere qualquer ação radical, somente a ratificação, mesmo que tácita, entre as duas partes: uma sabe que é e a outra reconhece. Sem maiores desgastes ou discussões.
Por tudo isso, após 40 títulos regionais, exatamente o número de anos de vida que completei esse ano, informa uma coincidência que aproxima cada vez mais dessa paixão incondicionalmente impossível de ser modificada.
Parabéns ao Internacional, mais uma vez, e também parabéns ao adversário, que, ao menos por parte de seus diretores, reconheceram o resultado e dele mais uma vez bateram a devida continência.
NO FIM
Parabéns à Folha do Nordeste pela jornada vintenária o que se estende a todos que colaboraram para tanto.
ESTRADA
Fiquei quase convencido sobre determinado acontecimento o qual me induziu a formular a seguinte frase: o tempo é o amortecedor de todos os males. Sei que não é original, mas o que é original após os clássicos? E isso me levou a conclusão que evidencia o que o cotidiano e as experiências ensinam, porém traduzido sob a forma de “contrabalancear o impacto”. Quero e percebo a necessidade de que a onda venha pausadamente, calmamente, e, caso isso não seja possível, que ao menos tudo seja absorvido em razão do implemento incondicional do tempo.
Tive a primeira experiência quando me vi dentro de uma fila com aproximadamente trezentas pessoas, com aquela sensação de que todos os meus compromissos iriam para o espaço. E a surpresa, que fui atendido exatamente no horário que foi marcado o atendimento. Isso é absurdamente fantástico. Foi imperialista, mas foi também extraordinário.
A segunda, quando um colega de viagem teve um surto porque a tripulação não tinha troco quando buscava adquirir uma água mineral (sim, o mercado doméstico oferece os amendoins ou a barra de cereal e vende tudo o resto).
A terceira e última, durante a palestra de Fredric Jameson, crítico literário norte-americano, dentro do Fronteiras do Pensamento 2011.
Disse que a melhor designação da estrutura do presente é a pós-modernidade e caracterizou esse tempo, nas mais diversas áreas da vida cultural e social. A característica básica do pós-moderno seria a substituição do tempo pelo espaço. O tempo é abolido e a realidade política e estética do espaço ultrapassou a ênfase modernista sobre o tempo.
Para o autor, o principal fenômeno espacial é a globalização. Pós-modernidade e globalização são a mesma coisa, a pós-modernidade é a face cultural da qual a globalização constitui a infraestrutura, a realidade econômica, e a isso da o nome de estética da singularidade.
Tudo é muito interessante e deveras importante, notadamente em razão do momento sempre borbulhante em que as situações se desdobram.
NO FIM
As prerrogativas profissionais do advogado, enquanto atingidas negativamente, caracteriza um atentado à dignidade da pessoa humana e compromete o estado de direito democrático.
TODOS OS NOMES
Com a licença de Saramago retiro de sua obra o nome desta coluna, por entender a sintonia exata do que será enfrentado.
Começo pelo Nelson Rodrigues, quando afirmava aos quatro ventos que se as pessoas se conhecessem na intimidade ninguém se cumprimentaria.
Dessa afirmativa, sugiro a reflexão sobre outro ensinamento clássico, que lembrei exatamente no momento que parei para escrever este texto: somente nos apaixonamos pelo que desconhecemos; ninguém se apaixona pelo que conhece. Na medida em que vamos desbravando e somos levados a conhecer alguém, para alguém ou para algo, naturalmente a paixão deixará de existir.
Evidentemente que as afirmações mantém uma relação de sintonia clara, por isso, nada sutil. E não quero ou espero que de tudo ocorra concordância, até porque acontecido isso, de nada valerá o esforço compartilhado.
Falar de emoções, e aqui incluo a paixão, é um campo vasto. Todavia, é um campo delicado e por vezes perigoso. O sentimento que emana da paixão pode levar – ou sempre leva – a consequências especiais e mesmo trágicas.
O ser humano é ordinariamente apaixonado. Gosta disso, daquilo, não aprecia aquele ou o outro. Mas, geralmente, a definição de seu sentimento está permeada em premissas nem sempre seguras.
Quando se diz: adoro isso! Talvez seja porque não conhece; quando se diz: não gosto daquilo! Poderá ser que nunca tenha experimentado. As relações, as ligações e as constatações são fantásticas. Certa ou erradas. Porém, com certeza, fantásticas.
E qual o nome que poderá ser alçado a este raciocínio: todos os nomes!
NO FIM
Acho que a bruxa deve ser contida, pois, após o infortúnio com o Mário Muraro (hoje em plena recuperação), acontece um episódio lamentável com o Carlos Eduardo (o Zé para a maioria), que está também iniciando um lento processo de recuperação. Força a todos.
CRISE
Uma regra básica na política é que todas as regras podem ser quebradas, a qualquer momento, sob qualquer condição ou circunstâncias.
É do costume e do sistema, se hoje quero o seu calabouço, amanhã será meu companheiro sob a aurora. Tudo gira conforme a roda desta engrenagem. O certo e o errado não mantém a rigidez na sua forma, na etimologia ou mesmo em seus sentidos.
O estabelecimento e a consolidação de uma crise no aspecto político faz parte desta mesma forma de ponto e contraponto, pesos e contrapesos. A contradição é o que mais aparece e a troca de farpas traduz quem é quem, ou ao menos quem é “inimigo” do argumento.
No âmbito local, numa análise perfunctória, é perfeitamente possível estabelecer o caráter bélico de uns, em contrapartida ao trabalho de blindagem de outros.
Enquanto a articulação de alguns está imbuída no ataque aos moldes do “Dia D”; outros, acusando o golpe e dependendo de uma reação proporcional, estabelecem um procedimento pouco ortodoxo, por assim dizer, em se tratando deste terreno minado.
Vejo que muitos estão dormindo, outros abandonando o navio como os ratos e outros tantos só guardando a sua especialidade, qual seja, a de aparecer dentre os mortos e feridos com uma bandeira, que poderá ser branca, negra ou a cor que vocês escolherem,
É exatamente assim que funciona. Foi dito: é o sistema. Vai de nós, simples mortais, que ainda acreditamos não haver qualquer diferença entre legalidade e moralidade, ou que ambas são essenciais para a democracia e o bem comum, enxergar tudo isso e agir da forma menos contraditória possível.
A análise do campo político (geralmente o campo de batalha no sentido clássico da afirmação) deve seguir uma forma que abranja todo o viés, não só na ação contra este ou contra aquele, porquanto os interesses pessoais não devem sobrepor a razão e o sentido de uma imprensa livre.
No aguardo como sempre.
NO FIM
Vinho, literatura e lenha, uma verdadeira combinação aos moldes da felicidade plena.
DIREITOS HUMANOS
Com a devida licença a quem privilegia o colunista com a leitura, não poderei deixar de expressar o sentimento quanto a participação na palestra da advogada iraniana Shirin Ebadi, dentro do Fronteiras do Pensamento 2011, ocorrido na última segunda-feira no salão de atos da Ufrgs.
Simplesmente extraordinária a franqueza, a habilidade, a simpatia e a forma de expressão desta mulher que foi Prêmio Nobel da Paz em 2003. Todos ficaram encantados com as palavras e a realidade crua enfrentada pelo povo do Irã.
Em defesa dos Direitos Humanos em seu país, Shirin Ebadi fez questão de salientar que não era filiada a nenhum partido político, mas detalhou os problemas enfrentados pela população local, especialmente as mulheres (que valem exatamente 50% do que valem os homens) e os jovens:
O movimento estudantil no Irã é muito forte. Infelizmente, temos agora mais de cem estudantes presos, e seu único desejo é de democracia e direitos humanos. A maioria é de esquerda. É muito estranho um governo antiamericano e que se diz contra o capitalismo também combater a esquerda. A liberdade dos jovens é muito limitada. Se um casal se beijar na rua, será castigado com 30 chibatadas. A taxa de desemprego é altíssima. Qualquer mulher no Irã, iraniana ou estrangeira, religiosa ou não, tem de usar o véu, o hijab, senão receberá 80 chibatadas. A pena para os homossexuais é a execução. O governo baixou muito a idade do casamento: 13 anos meninas, 15 anos meninos. Quando uma mulher quer se casar, tem de pedir a autorização do pai, não importa que idade tenha – denunciou.
Observou a mudança de atitude do Brasil em relação ao Irã, pois, enquanto o ex-presidente Lula abraçava Ahmadinejad, a Presidente Dilma condenou publicamente a possível execução de uma mulher - acusada de adultério - por apedrejamento, inbstante ao fato de Dilma não a ter recebido no Planalto.
Primeira mulher a tornar-se magistrada no Irã, cassada após a ascensão da revolução islâmica em 1979, Shirin dedicou anos a recuperar seu direito de exercer a advocacia e tornou-se uma ferrenha defensora de atingidos pelas violações dos direitos humanos praticados pelo regime. Ela deixou o Irã em 2009, na esteira da brutal repressão exercida pelo governo aos cidadãos que protestaram contra a reeleição do presidente em um pleito marcado por denúncias de fraude. Desde então, tornou-se uma opositora itinerante do regime, em palestras e seminários mundo afora.
Enfim, uma grande mulher, um grande exemplo.
NO FIM
A parte constrangedora antecedeu a palestra, quando da manifestação da Secretária Nacional dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que foi “retirada do palco às palmas”.
ALGUNS TEMAS
Sempre que a Suprema Corte do país enfrenta questões e matérias ditas polêmicas o reflexo social é imediato, traduzindo os bancos daquela Instituição também como termômetro dos anseios e das angustias que nos assolam.
Recentemente foi o reconhecimento das uniões entre pessoas do mesmo sexo, estendendo direitos e obrigações, os quais antes somente eram alcançados aos relacionamentos heterossexuais. A resistência teimosa de parte importante da sociedade ainda persiste, o que não poderia ser diferente.
Na semana passada o tema foi outro: o direito das pessoas em realizarem e participarem da chamada Marcha da Maconha. O nome já traduz um enfrentamento. As consequências do resultado, para um lado ou para outro, deixaria “mortos e feridos”.
Pois o Supremo Tribunal Federal, em decisão unânime, a partir do julgamento de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) apresentada pela Procuradoria-Geral da República, entendeu por reconhecer e conceder o direito à liberdade e a livre manifestação, conforme preceitos que regem a Constituição da República.
Pronto, já no outro dia as manchetes dos periódicos eram de uma criatividade fantástica, podendo ser traduzida na seguinte frase: “Supremo Tribunal Federal libera manifestação em favor da maconha”.
Senhores, senhoras, não é nada disso. Os juízes de nossa Corte Suprema não disseram isso. Não foi feita qualquer apologia às drogas. Ninguém disse que “está tudo liberado”. Por favor, não vamos manter a mente congelada e sermos provincianos.
A decisão, especialmente o voto do ministro relator, Celso de Mello, é um verdadeiro tratado às garantias e à liberdade, está em sua verdadeira essência. O ministro gravitou sob todos os aspectos que, culminando pela garantia reconhecida pela Magna Carta de que todos são livres, de forma ordeira, pacífica e sem armas, de manifestarem sua posição, independente do conteúdo, mas simplesmente pelo direito de serem livres para expressar um sentimento ou um posicionamento. Disso não se faz, sob qualquer prisma, indicação de que isso ou aquilo deve ou não ser feito. Essa questão é outro, e, no caso, é traduzida no Código Penal Brasileiro como crime.
Portanto, vamos devagar, vamos buscar uma hermenêutica contextualizada, a partir do que a pirâmide da nossa legislação indica. Não vamos fazer um juízo vinculado em “conversa de bar”, que somente serve para uma conversa de bar.
Muitas outras questões serão trazidas à tona e, particularmente, aguardo com uma ansiedade ímpar a que discutirá o aborto.
NO FIM
De quantas verdades é feita uma mentira?
O TEMPO
É inverno, pois, e o tempo se apresenta correspondente, atingindo decisivamente nosso corpo e fazendo com que os hábitos que adormecem por meses voltem, singelamente e claramente com o poder completo de um estabelecimento natural e, ao que parece duradouro.
Lagoa Vermelha que é uma daquelas cidades que tem somente duas estações, o inverno e a estação rodoviária, por característica particular vê nascer um paradoxo: como uma cidade tão fria pode agasalhar pessoas de forma tão calorosa! Essa essência, esse povo, da capital dos amigos e da amizade, contrapõe tudo o que indica um povo de clima frio: individualista, pouco hospitaleiro, de precária socialização. Aqui é tudo diferente, mesmo que para tanto sejam agregados outros fatores e outros valores.
As cidades frias da Europa, especialmente, retratam um povo nada afeito a convivência social. Todos ficam em suas casas, fechados, saindo para o estritamente necessário. Sei também que cada povo tem suas nuances, suas “manias” e o seu jeito de encarar o clima. Mas a interpretação sugere o todo, o meio e a natureza humana em síntese.
Nisso, aqui, sim aqui em nossa Cidade, que sempre experimenta um clima similar ás frias cidades européias; que não será a escassez de neve que retirará o frio intenso, pois, a neve não traduz necessariamente que determinado lugar está mais frio do que outro lugar que não esta nevando, conduzindo a semelhança, por vezes negada e que, notadamente, leva ao farquejamento do povo dessa terra.
Passamos pelo último domingo, pela última segunda-feira e pela última terça-feira. Que venham ainda as ondas e as massas polares, que, no entanto, de maneira quase impossível haverão de ultrapassar o que passamos nesses últimos dias.
Teremos que aguentar mais esse.
NO FIM
E se o tema é o tempo, lembrarmos do Sejalmo Falkenback é algo indissociável.
FATO É FATO
O fato é que o Julinho Camargo optou por trocar a condição de segundo num time de primeira para ser primeiro num time de segunda, como censurá-lo?
Fatos à parte, a verdade é que Julinho é um grande treinador, em todos os sentidos, tanto é verdadeira essa afirmação que o Falcão (que inegavelmente conhece futebol, apesar disso não ser garantia de sucesso efêmero) foi buscá-lo para seu auxiliar.
O fato tudo continua da mesma maneira: uns correm na frente e outros sempre na condição de retardatários. É a vida, também!
Outro fato, agora na aldeia, é que foi dada a partida para a sucessão municipal. Muitos já se apresentam, sem limites ou pudores, buscando no termômetro medido pelo reflexo das manchetes como verdadeiramente estão. Mas será que esse reflexo é parâmetro para moeda de troca?
Gosto muito da análise do todo. Não quero e não devo pessoalizar. Todavia que muitas observações são dignas de registro, ah isso são. Alguns tecem afirmações partindo das mais variadas e variantes premissas, umas até que com sentido, mas a maioria de uma pobreza franciscana, o que, de toda sorte e de certa forma, nutre aos pretendentes declarados um brilho, uma massagem, no egocentrismo. E estes se convencem.
Aqueles que ainda cabem dentro da certeza de que são o centro do universo político local devem, por vezes, calçar chuteiras, pois, com este tempo úmido e frio todos os passos devem ser calculados.
O mais engraçado e - como paradoxo - enfadonho é que tudo é sempre a mesma coisa: enquanto alguns juram que a cidade possui mais de cem anos, outros apostam que não passa de uma década. Outros então que talvez tenha menos de quatro anos. Que loucura!
Há o Vettel, o Alonso, o Rubinho e o Galvão Bueno nesta corrida, com a possibilidade até do Reginaldo Leme aparecer lá pelo final da corrida.
Vou aguardar, como sempre.
NO FIM
Nada a declarar.
ALENTO
Após uma singular e agradável discussão sobre a verdade do mundo, lembrei do Analista de Bagé, personagem originalmente criado pelo Luis Fernando Veríssimo para o Jô Soares, enquanto viva o gordo.
O analista, que era ortodoxo em seus métodos e um paradoxo em tudo que fazia, recebeu em seu consultório mais um paciente com complexo de Édipo. Na chegada indagou o Analista se deveria, assim de soco, deitar no divã (bom lembrar que era um pelego). O de Bagé, sem qualquer cerimônia, disse: olha se quiser dançar uma marca antes, fique à vontade.
É exatamente este contexto que merece referência. Pergunto sempre, como percebo em muitos, se em condições especiais que a vida nós emprega relacionamos as consequências de forma duradoura. Ou, ao contrário, a consequência é imediata e o reflexo é efêmero. Explico: acontecido um evento desagradável, por vezes muito desagradável, faz surgir o pensamento de que devemos mudar algumas atitudes; alterar, bloquear ou mesmo buscar um atalho para o nosso caminho. Efetivamente, neste momento, é exatamente assim que pensamos. Passado um tempo ínfimo, voltamos a “nossa vida”. Retornamos ao estado que caminha dentro da cadência que temos como rotineira. A mudança que enxergamos é tão rápida e tão profunda que termina por ser inválida, com exceção dos minutos de lucidez que advém do ato em si.
O ser humano é assim. A vida é assim. A marcha passa do êxtase para o funesto no mesmo ritmo. A evolução perseguida por cada um, dentro de cada forma de atuação é explicada, ou tentada, sempre com o peso da ciência e da religião. Precisamos disso tudo. Isso tudo nos é ensinado.
Após tudo isso, o resumo em uma única palavra do que é ao final o sentido e a natureza do ser humano não passa muito longe da busca pelo “equilíbrio”. Essa é a palavra chave.
NO FIM
Aos amigos Elo e Tito da gloriosa cidade de Muliterno, gremistas da gema, que rezam diuturnamente pelo Julinho. Fazem bem!
EM TODOS OS LUGARES
Começo com a frase do John Winston Lennon, que para os desavisados, e para mim, foi o maior dos Beatles e por isso um dos maiores de todos: Estive em todos os lugares e só me encontrei em mim mesmo. Poderia colacionar várias, mas escolho somente outra: Deus é um conceito pelo qual medimos nosso sofrimento.
Em vários momentos me deparei com discussões sobre tudo e sobre todos. Sobre a razão, a emoção, a religião, enfim relacionado com os fatores que teimam em deixar as pessoas cada vez mais confusas. Sei que essa linha não agrada aqueles que buscam nada entender. Entretanto, o gosto é pessoal e a pretensão deve ser direcionada para onde nossa razão (será?) indica.
Como sou daqueles que buscam entender e notadamente compreender, não posso aceitar os fatos sem ao menos contextualizar, mesmo que afetado pelas ligações peptídicas ou num claro conflito estabelecido pela sinapse.
Para você que chegou até aqui, que ainda me acompanha nessas linhas, observo que talvez seja uma raridade, pois hoje não escrevo sobre algo cotidianamente banal, ou que as letras sejam agrupadas, formem palavras e frases liquidificadas, onde a interpretação não será a tônica, porque simplesmente não será necessário. Ler é a arte do encontro e da massagem sobre a evolução, ato necessário para que ao menos tudo não regrida.
Não há qualquer crítica, nem de um lado ou de outro. O que há sim é uma tentativa, por vezes inglória e ingrata, de angariar soldados para as batalhas contra a incapacidade natural a que somos submetidos e extraídos como produto de própria formação, ou evidente falta dessa.
Para você que ainda continua por aqui, digo para oxigenar o peso disso tudo, que ao agarrar o desconhecido para suprir as agruras que perseguem o ser humano todo o dia, não faz nada de errado, pois, o importante não é o certo, tento em vista que esse pode estar errado. Então estamos todos absolvidos.
Não deixem de pensar, de questionar, de duvidar, porque de joãozinhos do passo certo o mundo está lotado, infelizmente.
NO FIM
As escolhas devem ser pessoais, com a devida dose de partilha nas responsabilidades.
ESTIMULAR
Tive o privilégio de receber, desde muito cedo, o estímulo e o consequente contato com a leitura. Meus pais nunca se furtaram de colocar em casa a literatura indicada para cada uma das fases da vida, minha e de meu irmão. Começamos pelos sempre atuais gibis, passando pela coleção vaga-lume, coleção para gostar de ler, somado as enciclopédias que ensinavam todos sobre praticamente tudo.
Com a formação infantil e infanto-juvenil farquejada pelo acesso a leitura, busquei repassar à prole o mesmo procedimento. É claro que o distanciamento entre um antigo tio patinhas ou aos ensinamentos clássicos do chico bento em relação ao ipod, ipad e tantos outros “iiss” que hoje nos dominam, criam um natural escudo de ação. Todavia, a singeleza, a simplicidade da literatura infantil, que hoje talvez seja considerada antiga, de forma especial, não só é interessante como necessária à formação.
Quando apresentei à Carolina o clássico O velho e o mar, acho que ela não devia ter mais de 11 anos, percebi o efeito avassalador que a leitura promove. A discussão foi diária e por muito tempo sobre as nuances e os reflexos que a leitura promoveu sobre seu cérebro de criança. É extraordinária a capacidade e os silenciosos reflexos que a leitura fez e faz na cabeça desses meninos e meninas.
Trago o exemplo caseiro como paradigma, somente por isso. Mas tenho certeza que os estimulados nesta ordem sabem o que tento dizer.
O poder de discernimento, de interpretação e ao fim e ao cabo do enfrentamento da vida também passam por esta estrada.
Ações como a promovida pela OAB (OAB vai à escola), feiras, eventos, enfim todas as ações que mantenham a chama bem acessa, sem deixar que o contato com o material, o livro, seja abocanhado, deve ser cada vez mais aplaudida.
Por tudo isso, se você não sabe eventualmente o que presentear uma criança, um jovem, pense com carinho em dar-lhes um livro, respeitando cada condição e cada época, até mesmo para não ser estabelecida qualquer possibilidade de efeito reverso.
NO FIM
Para Pondé, os avanços do mundo acontecem porque grande parte de filósofos, escritores e cientistas continuam a ser pessimistas. “Uma pessoa que sempre está alegre, você se pergunta se sabe o que está acontecendo à sua volta”, brincou o filósofo. O pessimismo, então, seria mais inteligente?
ESPÍRITO LIVRE, BOLDO E AFINS
Excentricidade é uma das formas de manifestação do “ser” como garantia de personalidade e também de autoconhecimento. Ser excêntrico é ser particularmente individual. O diferente é livre. O igual é vinculado.
O espírito livre é o que contraria a tradição. É aquele que não reconhece o predomínio do entendimento baseado no costume surgido pelo hábito. Espírito livre, enfim, é característica até da excentricidade.
Já o espírito cativo não exige razão, exige fé. E na origem desta mesma fé está a falta de razão, que ao fim é exatamente a carência do espírito livre. A fé não exige razão, mas tão somente renovar a tradição que vagueia pelos campos fora desta.
Quem conhece um pouco, mesmo um pouquinho de Nietzsche sabe exatamente o que tento dizer. Não precisa concordar por concordar, até porque se isso acontecer a tradução é exatamente o caminho que o cativo percorre. O contrário, de outra sorte, igualmente não suporta o raciocínio senão baseado na razão. A escolha é de cada um.
Sugiro, como sempre e regularmente, o chá de boldo, que inobstante sua comprovada força contra a desordem digestiva (se é que me entendem), é importante companheiro para os mais variados conflitos existenciais. Caso não seja alcançado o objetivo propriamente visado, ao menos a liberdade e a sustentável leveza será confirmada.
A mudança somente aparece com a resistência. O que hoje assusta amanhã poderá ser reivindicado. Para isso, senhores e senhoras, esperar na janela, como fazem os cativos, é aguardar simplesmente a banda passar, sendo todos os dias os mesmos dias.
As teses, os fundamentos ou as opiniões podem até não ser as mais corretas ou as mais aceitáveis. Contudo, quanto vale a libertação do tradicional? A vitória ou a derrota faz parte do jogo, o que não deve faltar é a razão, pois embasar os atos e justificar tudo pela fé, dê-me licença, é um dos manifestos da pobreza de espírito e por assim dizer da falta de recursos.
NO FIM
O “afins” do título é exatamente para saber quem está “a fim” de concordar com tudo isso.
RETORNO
Na semana passada, dentro de um intervalo exíguo entre um compromisso e outro, passando pela Independência, com fome e sem tempo, me deparei com o passado. Avistei, entre aquele mar de alunos saindo da escola, os malabaristas do cachorro quente. Não hesitei, solicitei a parada imediata do veículo e experimentei uma sensação da volta ao tempo, precisamente ao final dos anos 1980.
Os poucos passos que percorri entre o veículo e a “carrocinha” do Cachorro quente do Rosário foram uma eternidade. Neste espaço de pouco mais de vinte metros recebi sensações e flashes na memória que permaneciam hibernando a mais de vinte anos.
Cheguei, olhei a tabela de preços, e percebi que a variedade continha mais de seis ou sete opções. Primeiro impacto: quando era freguês semanal da “carrocinha”, as opções eram: com uma ou duas salsichas! Agora tem cachorro quente com telo solar com molho assim ou sem o assim. Que espetáculo!
Estava preparado para somente umas das duas opções que conhecia. Com aquela variedade fiquei com dúvidas. Cedi o meu lugar na fila, até porque a pressa de todos iria ocasionar alguns contratempos desnecessários a partir da minha inércia.
Ao mesmo tempo em que tentava superar a gritante dúvida quanto ao qual escolheria, ficava admirando o trabalho dos artistas que confeccionam o lanche. Quem não conhece não acredita. Um cachorro quente, qualquer que seja, fica pronto em menos de quatro segundos. Sim, quatro segundos! Sim, utilizei o cronômetro.
Esqueci-me, por alguns momentos, de que estava ali com pressa, ou que estava ali somente pela pressa, e não conseguia me decidir.
Finalmente, escolhida outra modalidade, deixando o clássico ou tradicional de lado, passei ao momento mais esperado: degustar a guloseima.
Sabe como é: o cachorro vem com tudo caindo pelos lados e o malabarismo, neste instante, passa para o consumidor, que se for um pouco atrapalhado sairá dali diretamente para o chuveiro.
Porém, também venci esta etapa. Superei-a com nostalgia, com ações minimamente pensadas e estrategicamente cadenciadas, pois aquele momento era sim especial.
NO FIM
Faça do seu “Cachorro do Rosário” um momento impar na sua caminhada.
VEREADORES
Lançada a discussão sobre a possibilidade do aumento do número de vereadores naqueles parlamentos que pretendem tal ação, diversas observações são postas à mesa.
No âmbito local, que é o que interessa, a Câmara é composta por nove vereadores, podendo, segundo a Emenda Constitucional n. 58/2009, chegar a onze, pois em o nosso município a faixa populacional fica entre quinze e trinta mil habitantes.
Pois bem, nos termos do art. 16 da Constituição Federal, A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência. Isso quer dizer, que o mês de setembro é o limite para eventuais alterações no processo eleitoral de 2012 (há outra interpretação, de que o prazo fatal seria junho/2012, por conta da Resolução n. 22.556 do TSE).
O percentual de repasse tem o limite de 7% sobre as receitas para aqueles municípios com população até cem mil habitantes, onde Lagoa Vermelha está encaixada.
A partir de tais elementos, surgem as indagações e por vezes conclusões: o aumento do número de vereadores causará o aumento das despesas públicas? Deve ser considerado imoral eventual aumento do número de vereadores?
O aumento do número de vereadores não causará aumento das despesas públicas, pois os repasses de recursos ao legislativo não está vinculado ao número de vereadores, mas sim dentro de percentual sobre a receita do município.
Ainda, o aumento do número de vereadores não é imoral, visto que previsto na Constituição Federal, a qual não prevê imoralidades.
De outro norte, o aumento do número de vereadores não é obrigatório, sendo uma faculdade do Poder Legislativo Municipal. Também, a discussão poderá ser renovada a cada eleição, sendo que para a do ano que vem o prazo é improrrogável e o marco final é o próximo mês de setembro.
O que deve sim ser analisado é se os subsídios dos vereadores estão dentro do limite orçamentário, ou seja, dos 5% sobre a receita municipal ou do percentual de 70% com a folha de pagamento, sob pena de, aí sim, ocorrer uma infração de ordem legal.
Portanto, a questão deve ser analisada dentro de um contexto, que abranja a necessidade, a legalidade, e a razão final com a faculdade de ação.
NO FIM
Pessoalmente acho interessante o aumento do número de vereadores, dentro de uma análise global, sem hipocrisia e discurso eleitoreiro, sendo que a “qualidade” dos representantes, tanto propagada, deve vir do povo, do voto, não podendo esta ser vinculada estritamente sobre o número de vereadores.
PERSONALIDADES
A energia empreendida para ações que julgamos prazerosas é sempre recompensadora e, por isso, é perseguida incessantemente, ininterruptamente, mesmo que, para isso, o nosso físico ou a nossa mente por vezes se apresente esgotada.
Nesta esteira, gosto de intentar retrospectivas que lembrem o passado de Lagoa Vermelha e, sobretudo, de seus personagens. Não aqueles que naturalmente são expostos pelos muitos e relevantes serviços sociais prestados, ou mesmo aqueles que contribuíram para o desenvolvimento como um todo. Esses, de importância ímpar, são reiteradamente e justamente relembrados.
Digo, especificamente, das personalidades que, se não contribuíram para o desenvolvimento econômico/financeiro propriamente dito, fizeram a sua parte no quesito da alegria, da cultura, do entretenimento, da diversão e do conjunto geral na evolução social.
Não sou um conhecedor como deveria da história destas personalidades. Conheço algumas por ouvir falar, outros pela fama e outros por ter tido o prazer de efetivamente conhecer.
Como são muitos, por obviedade alguns (talvez muitos também) ficaram de fora, o que não passa de um desconhecimento de quem escreve, contudo não retirará disso a importância que todos tiveram em sua respectiva época.
Começo pelo Lino o ferinha, que acabou falecendo em acidente de trânsito na BR 285, o qual era muito querido de todos; o Dercílio, que tinha famosa frase: duvido que peguem o Dercílio sem laranja; o Adão falta freio (será que está por ai ainda?); o Papagaio, o Geraldo, que diziam que comia uma ovelha inteira de uma só vez; a Pata, a Ligeira, entre tantos outros e, especialmente, muitos que ainda circularam – da nova geração -, por ai e que marcam sempre a sua presença pelas praças e arrabaldes da cidade.
Todos fizeram ou fazem parte da história, contribuindo da sua forma, do seu jeito, para o engrandecimento dos pilares sociais.
NO FIM
Você não acha que está faltando personalidades vistas por aqui em outros tempos?
A VIDA E AS ÁRVORES
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