Alimentado pela literatura cedida gentilmente pelo dr. Paulo Sgarbossa, que sempre atendo as nuances e discussões que envolvem e conduzem a humanidade - e também por vezes fora dela -, embretei-me no Conde Bertrand Russell, notadamente em No que eu acredito.
O cristão, diz Russell, mantém a base e o sustentáculo de sua religião em duas condições em especial: a existência de Deus e a imortalidade. Digo eu, quanto a Deus, se ele existe mesmo, não interessa ao presente texto. Contudo, a imortalidade merece algumas linhas, até para inflamar o debate com meus dezessete leitores.
Russell: Se não temessemos a morte, creio que a ideia de imortalidade jamais houvesse surgido. O medo é a base do dogma religioso, assim como de muitas outras coisas na vida humana. O medo dos seres humanos, individual ou coletivamente, domina muito de nossa vida social, mas é o medo da natureza que dá origem à religião.”
A ideia de que tudo terminará um dia é o grande lance. E atento a isso foi necessário uma alternativa. Haveria de ocorrer algo que pudesse justificar a continuidade “depois do fim”. Disso surge a imortalidade, de onde o medo é amortecido e criamos a expectativa de que tudo não terminará por aqui. Bingo!
Não devemos olvidar, todavia, que “A sobrevivência à morte corporal é, no entanto, um assunto diferente da imortalidade: só pode significar um adiamento da morte psíquica. É na imortalidade que os homem desejam crer."
Pensar que após o desaparecimento da matéria o pensamento vai junto, ou de que voltaremos de onde viemos, para as cinzas e para o pó, e que tudo vai acabar, que é assim mesmo, não é aceito, por ser muito singelo, porque “não é justo”, ou porque simplesmente não pode ser assim.
O que faz o medo, não é mesmo?
NO FIM
Fantástica a apresentação da banda Identidade (cada vez melhor e mais madura) sábado no aniversário do Micka.
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