Gravitar por lugares
inóspitos, sombrios e que exalam o odor da dor sempre foram estimulantes. Senti
tal manifestação há poucos dias, na histórica cidade de Rio Grande.
Era para ser um
final de domingo como são os finais de domingo. Porém, não! A casa esquina, a
cada passo que a proximidade do mar me guiava, me chamava, a pulsação
invariavelmente teimava em descompassar.
Ao chegar de
encontro às ondas, com a licença daqueles que tudo conhecem, o impacto foi
fulminante: não havia nada, à exceção de poucos carros, algumas pessoas e um ar
gélido e cativante.
Inevitável
lembrar-me do Dyonélio Machado no Louco
do Cati. Mas, tudo era bem maior. O vento falava outra língua. O ar teimava
num sopro constante, inútil e também vencedor. Talvez fosse a contradição,
materializada pela inexistência (comum do local) de nada que indicasse uma
“forma praiana”, aquela ordinariamente conhecida e propagada. Ao contrário,
nada é parecido. Nem mesmo os poucos olhos que travei visão.
Enfim, foi amor à
primeira vista. Fiquei apaixonado, ao ponto de querer ficar. De me enxertar sob
o que é nublado. De poder classificar como regra algo que sempre foi exceção.
Não pude deixar de ficar lá, mesmo tendo que ir embora.
Na volta, já com um
afastamento mais que razoável daquele local em que tudo aconteceu, senti
novamente que o ser humano é inegavelmente mínimo. Isso aconteceu.
Terminei com uma
refeição local, banhada a um roso.
Uma simples copa. Nada mais do que
deveria ser. Tudo volta ao normal quando as luzes se apagam. Não puder sentir
isso.
NO
FIM
O retorno será
breve.
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