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quarta-feira, 3 de junho de 2015

RIO GRANDE = SENTIR




 

                            Gravitar por lugares inóspitos, sombrios e que exalam o odor da dor sempre foram estimulantes. Senti tal manifestação há poucos dias, na histórica cidade de Rio Grande.

 

                            Era para ser um final de domingo como são os finais de domingo. Porém, não! A casa esquina, a cada passo que a proximidade do mar me guiava, me chamava, a pulsação invariavelmente teimava em descompassar.

 

                            Ao chegar de encontro às ondas, com a licença daqueles que tudo conhecem, o impacto foi fulminante: não havia nada, à exceção de poucos carros, algumas pessoas e um ar gélido e cativante.

 

                            Inevitável lembrar-me do Dyonélio Machado no Louco do Cati. Mas, tudo era bem maior. O vento falava outra língua. O ar teimava num sopro constante, inútil e também vencedor. Talvez fosse a contradição, materializada pela inexistência (comum do local) de nada que indicasse uma “forma praiana”, aquela ordinariamente conhecida e propagada. Ao contrário, nada é parecido. Nem mesmo os poucos olhos que travei visão.

 

                            Enfim, foi amor à primeira vista. Fiquei apaixonado, ao ponto de querer ficar. De me enxertar sob o que é nublado. De poder classificar como regra algo que sempre foi exceção. Não pude deixar de ficar lá, mesmo tendo que ir embora.

 

                            Na volta, já com um afastamento mais que razoável daquele local em que tudo aconteceu, senti novamente que o ser humano é inegavelmente mínimo. Isso aconteceu.

 

                            Terminei com uma refeição local, banhada a um roso. Uma simples copa. Nada mais do que deveria ser. Tudo volta ao normal quando as luzes se apagam. Não puder sentir isso.

 

NO FIM

 

                            O retorno será breve.

 

 

                           

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