Recebemos
no início desta semana a graciosa companhia da Tia Maria para o almoço. Falávamos
sobre amenidades, como deve ser numa mesa de refeições tradicional, quando ela
sentencia: não gosto muito de feijão com arroz! Talvez quando o feijão é novo,
mas nem sempre.
Pensei: é possível
não gostar de feijão com arroz? De mondongo, bife de fígado, coração ou pescoço
de galinha (tirando as mães, que comem tudo para deixar o “mel” aos filhos),
miúdos em geral, tudo aceitável, mas feijão e arroz!
Quando comi sushi e
sashimi pela primeira vez, já há muito tempo, bem antes de virar moda, nunca
experimentei qualquer dificuldade. Outros experimentaram ou experimentam até
hoje, sendo impossível pensar (e comer) o peixe cru. Por outro lado, comem
mondongo, vai entender o ser humano.
Aliás, quanto ao
sashimi tive que “comprar” muitos dos “meus” para que experimentassem. Compra
cara, mas pela intensidade de hoje vejo que até barata ficou. Nunca mais os
abandonaram.
Mas, dizer que não
gosta ou, mais corretamente, que até dispensa a clássica brasileiríssima
combinação do arroz com o feijão causa espanto. Fiquei, confesso, pasmado.
Cheguei a pensar que arroz e feijão deveria ser prato brasileiro obrigatório em
fast food, agregando laranja e couve
folha. Mas não. Continuamos com batata frita, cebola frita, ovo frito, etc. É a
vida que segue.
Agora, quando
retorno aos mercados, deslizando sobre as prateleiras, chego ao preço do arroz
e do feijão, acho que talvez a combinação não seja tão boa assim. Inclino-me a
concordar com a Tia - reconhecidamente sábia -, condição que me leva a
evidência da escolha.
Não sei onde vamos
parar. Talvez perto ou longe de tudo isso. Mas deixar de “escolher o feijão”
(nunca mais ninguém fez isso! Fez?) é de uma tristeza faraônica.
NO
FIM
Põe água que chegou
mais um.
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