Parafraseio Belchior
com a intenção de retornar. O passado é uma roupa que já não serve mais. O
nosso patrimônio é o passado que já não serve mais.
Preciso do passado
para entender. Não quero o passado, porque como já foi dito, sendo bom é
lembrança e saudade; sendo ruim, é martírio.
Quero sair dele, mas ele insiste em me perseguir.
A velha roupa, mesmo
aquela colorida, nunca mais serviu, porém foi usada. E quando isso aconteceu
estabeleceu laços que não se desprendem. E, caso isso venha ocorrer,
dificilmente a corda se livrará da lembrança do nó. E voltamos ao início.
Somos feito do
passado. Somos falquejados pelo seu contorno. O presente, apesar do lindo nome
e de que devemos sim viver nele, não terá a pretensão de se definir como
borracha sobre o escrito pela pena em papel virgem.
Não há como
negociar! Tudo resta vinculado. O passado é – repito -, nosso patrimônio moral.
Dele precisamos para entender. É a partir dele que os passos cadenciam.
Por isso, olvidar a
velha roupa ou tentar desconhecê-la é exatamente dormir para não pensar; é
definitivamente mentir para si mesmo.
Quando você revirar
o seu roupeiro em busca de algo que você lembra possuir, mas não encontra, não
esqueça: poderá, e possivelmente, encontrará, mesmo que escondido nas
entranhas, o seu passado. Ele se apresentará com muitas faces ou talvez nenhuma
NO
FIM
Talvez a roupa ainda
sirva.
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