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quinta-feira, 14 de maio de 2015

MEIO DE ESQUERDA




 

                            Antonio Prata (aquele escritor paulista, pra quem não lembra), sustenta ser meio intelectual, meio de esquerda e, igualmente por isso, frequenta bares meio ruins.

 

                            Eu, contextualizando tudo, acho que sou meio de esquerda e frequento bares meio ruins.

 

                            Por isso, o fato de ser meio de esquerda e frequentador de bares meio ruins indica que sou meio boca aberta?  Incida que sou meio bem de mal com a vida? Indica que busco na teoria a razão de justificar aquilo que digo ser e no fundo nunca serei?

 

                            Como Prata, sempre pensei que o bar, ainda meio ruim, deve ser visitado antes dos “analistas da Veja”, porque, após, ele é capaz de ser considerado meio bom e meio de direita, o que sugere a presença anterior de um meio atrasado como eu.

 

                            Ser de esquerda ainda assusta? Ser meio de esquerda assusta um pouco menos? Ser de direita (ou meio de) é sinônimo de visão analítica/intelectual/progressista/garantidora e que utiliza sabonete bem cheiroso no banho?

 

                            Na encruzilhada, você perdido, opta no instinto pela direita ou pela esquerda? Você entra em bares meio ruins?

 

                            Por ideologia você pede pizza de calabresa ou de camarão ao molho catupiry?

 

                            Acho que, sendo meio de esquerda, devo pensar como meio andarilho, meio desapaixonado, meio com medo. Talvez não. Posso caminhar meio cansado, meio sem sono, meio desanimado, mas nunca deixarei de entrar num bar meio ruim.

 

                            A única situação, como meio de esquerda e animado com bares meio ruins, que não suporto, é beber um vinho meio ruim num copo meio bom.

 

NO FIM

 

                            Sou meio assim mesmo.

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