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terça-feira, 3 de junho de 2014

MANTER A PALAVRA




 

                                     

                            Maquiavel alertou ser louvável num príncipe manter a fé e viver de forma íntegra, não com astúcia. Contudo, os atos daqueles que viveram com astúcia superam (sempre superaram e superarão) aqueles que pautaram seus atos pela lealdade.

 

                            Disse que há somente duas maneiras de lidar com a situação: com a lei, criada pelo homem; e com a força, própria dos animais. Quando aquela não se apresenta suficiente, necessário será recorrer a esta.

 

                            Portanto, é necessário utilizar o lado humano e o lado animal, como exatamente os historiadores antigos se referiram ao centauro.

 

                            Pois bem, seguindo Maquiavel - cujo adjetivo “maquiavélico” é utilizado recorrentemente de maneira infeliz -, um príncipe deve saber utilizar a natureza dos animais ou as qualidades da raposa em relação as armadilhas, e dos leões para combater os lobos. A metáfora indica que somente um ou outro de nada adiantara a investida, pois a simbiose é exatamente o que se persegue.

 

                            Ao final, não se afaste do bem, mais saiba utilizar o mal, quando necessário.

 

                            Pensei em Maquiavel neste período pré-eleitoral, onde, buscando o exemplo de Alexandre VI, que jamais fez outra coisa senão prometer e não cumprir, porém sempre foi beneficiado pela sua capacidade de simular e dissimular. Sempre jurou, mas quase sempre nunca cumpriu.

 

                            Ainda em Maquiavel, o benefício de saber interpretar que os homens julgam mais com a vista do que com o tato, pois ver é dado a todos, todavia sentir, a muito poucos, chancela a miopia coletiva e faz nascerem as conhecidas massas de manobra, nas quais, pasmem, muitos estão, provavelmente do seu lado.

 

                            Tudo isso entre os anos de 1400 e 1500, o que a atualidade em absolutamente nada influência, mas complementa.

 

NO FIM

 

                            Alguém lembrará de Maquiavel no momento do voto?                  

 

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