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terça-feira, 3 de junho de 2014

A LUTA




 

                            Pensando, dia desses, sob a proteção da lareira e de uma garrafa de vino roso, e, claro, algumas azeitonas e nacos de queijo, na consciência e mais profundamente sobre tudo antes dela.

 

                            Pensei da saída e da chegada. Lembrei-me da frenética perseguição de tudo e de todos. Cansei, outra vez, de retardar um estado feliz por continuar fazendo planos sem realizá-los. Não há tempo ou o tempo é mesmo uma ilusão?

 

                            Sobre tal condição, sob meus olhos, cai uma entrevista do Nando Reis, publicada na última edição da revisa TRIP, onde a análise sistêmica e pontual daquilo que pensava, entre uma lenha e um gole de vinho, agora saboreando também Air de Sabastian Bach, tendo o calor do pensamento atravessado a última ponte ainda a ser superada, tendo a lenha feito outros estalos, tendo a volta da garrafa sofrido intercorrências quando em contato final com o copo, percebi não estar sozinho.

 

                            Sobre a entrevista algo a dizer: a busca pelo estado de alteração é humana; uma boa música, uma refeição, um copo d’água, tudo é parte; tudo faz parte daquilo que realmente é buscado, ou deveria: o presente é o que há, pois o passado é lembrança e o futuro esperança, sendo este provavelmente o pior sentimento do ser humano.

 

                            O inverno, disse o amigo Nei, nos transporta para outras dimensões, sobretudo na escala, no “piano”, do pensamento, o que de certa forma conforta o fato de nossa cidade, como já frisei outrora, só ter duas estações.

 

                            Tudo é importante, porém nada é mais do que viver, em paz, consigo e com os outros, sabendo tudo e sempre que tal condição é talvez o maior dos desafios, não pela dificuldade em si, mas especialmente pelos nossos próprios atos.

 

                            A lenha acabara, e será complementada; o líquido findará na espera de seu substituto; a azeitona e o queijo nesta altura desapareceram e a órbita, dos fatos, dos atos e do pensamento, seguirá o rumo que você escolher.

 

NO FIM

 

                            Escolha.

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