COTAS
RACIAIS
O Supremo Tribunal
Federal, por unanimidade, declarou constitucional o sistema de cotas raciais
para o ingresso de alunos em universidades públicas.
Sem desconhecer uma
dívida histórica do país em relação à escravidão e seus tentáculos ou
consequências, algumas ponderações ouso fazer.
A primeira delas é
que “esta conta” não é minha e não é sua. Não podemos nós, como um todo e como
sociedade, sermos compelidos a pagar uma “dívida” a partir do sistema de cotas
universitárias. Por que este “débito” histórico deságua sobre o direito
equânime de concorrência nas universidades públicas? Por que tal desigualdade é
chancelada por uma declaração de constitucionalidade, enquanto flagrantemente
contrária a Constituição?
Em segundo lugar, se
considerarmos a existência deste débito e o necessário ressarcimento, o Estado
não tem o direito de repassar a dívida para nós, o povo. Não somos e não
seremos nós os responsáveis por esta dívida.
Também, as
injustiças quanto a condição são evidentes, podendo ser citado o exemplo de um
negro com condições financeiras que agasalharia o ingresso em universidade
privada em relação a um branco, pobre, e que a única alternativa é a pública.
Se tal fato é exceção, mesmo tratando como tal não poderá ser desprezado, sob
pena de, outra vez, a Constituição ser “rasgada” num de seus pilares mestres,
qual seja, o princípio da igualdade.
Os exemplos da
distorção são inúmeros, sendo emblemático o caso dos gêmeos que, um, por ser
considerado negro, foi selecionado para as cotas; o outro, irmão gêmeo
repita-se, não foi considerado afrodescendente e, portanto, ficou fora do
“benefício das cotas”, pois de cor branca está fora do beneplácito.
Não é desconhecida,
como dito, a condição histórica e a realidade dos cotistas. Contudo, obrigar
que esta conta seja paga por todos, enquanto a dívida não é nossa, é um
atentado definitivo ao direito reconhecidamente declarado na Carta Magna de
1988.
NO
FIM
Que as políticas
públicas voltada a compensar uma condição histórica, deverão pautar pela
evidente exclusão da responsabilidade do povo, no sentido literal do termo.
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