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sexta-feira, 18 de maio de 2012


CHOVE CHUVA



                            Entre os primeiros estalos das lenhas que voltam a habitar nossas lareiras, passando pelas fotos nuas da Carolina Dieckmann, pela alta do dólar, pelas águas do Cachoeira, pelo Grito de Munch, todos aguardam ansiosamente pela chuva e pela Chuva.



                            A Chuva, aquela dos macacos, há uma previsão real de acontecer. Já a chuva, a outra, ninguém sabe.



                            Conversando com um querido amigo, sobre muitos e muito pouco, visualizamos conjuntamente um fato: a solidariedade a partir de um sorriso, de um abraço ou de um gesto comum. Falávamos sobre o agasalho necessário do período, da comida, do compartilhamento. Mas um ponto em especial: a transmissão, epidérmica ou não, da solidariedade.



                            A essência de qualquer ato solidário é entregar algo. É comprar uma rifa beneficente; é entregar uma cesta com alimentos; é participar das campanhas em face do inverno; é, enfim, lançar mão de ações voltadas ao próximo. A tradução não ultrapassa de um ato eminentemente frio. Eu compro e entrego. Fiz minha parte.



                            Mas não, tudo isso deve ter o acréscimo, o tempero que trará o grande final reconhecidamente completo. E isso somente poderá ser traduzido num sorriso, em um abraço ou no gesto humanamente solidário. Sem este complemento o objetivo não terá alcançado o êxito pelo qual se persegue.



                            Um belo gesto, como a solidariedade ao próximo, em si é sempre bem vindo. O complemento deste gesto com o abraço ou ao menos com o sorriso é o ápice da ação.



                            Parece tão simples e tão claro. Mas tenham a certeza que é difícil e nebuloso. O ser humano, em linha geral, aceita o doar, porém reluta no amar.



                            Pensar na Chuva ou na chuva é uma ação corriqueira, normal e do dia a dia. Agregar ao gesto solidário um sorriso e um abraço pode ser mais fácil do que se imagina.



NO FIM



                             Eu bebo para conversar com os idiotas, inclusive comigo mesmo” (Jim Morrison).



                           



                           



                             


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