CHOVE
CHUVA
Entre os primeiros
estalos das lenhas que voltam a habitar nossas lareiras, passando pelas fotos
nuas da Carolina Dieckmann, pela alta do dólar, pelas águas do Cachoeira, pelo Grito de Munch, todos aguardam ansiosamente pela chuva e pela
Chuva.
A Chuva, aquela dos
macacos, há uma previsão real de acontecer. Já a chuva, a outra, ninguém sabe.
Conversando com um
querido amigo, sobre muitos e muito pouco, visualizamos conjuntamente um fato:
a solidariedade a partir de um sorriso, de um abraço ou de um gesto comum.
Falávamos sobre o agasalho necessário do período, da comida, do
compartilhamento. Mas um ponto em especial: a transmissão, epidérmica ou não,
da solidariedade.
A essência de
qualquer ato solidário é entregar algo. É comprar uma rifa beneficente; é
entregar uma cesta com alimentos; é participar das campanhas em face do
inverno; é, enfim, lançar mão de ações voltadas ao próximo. A tradução não
ultrapassa de um ato eminentemente frio. Eu compro e entrego. Fiz minha parte.
Mas não, tudo isso
deve ter o acréscimo, o tempero que trará o grande final reconhecidamente
completo. E isso somente poderá ser traduzido num sorriso, em um abraço ou no
gesto humanamente solidário. Sem este complemento o objetivo não terá alcançado
o êxito pelo qual se persegue.
Um belo gesto, como
a solidariedade ao próximo, em si é sempre bem vindo. O complemento deste gesto
com o abraço ou ao menos com o sorriso é o ápice da ação.
Parece tão simples e
tão claro. Mas tenham a certeza que é difícil e nebuloso. O ser humano, em
linha geral, aceita o doar, porém reluta no amar.
Pensar na Chuva ou
na chuva é uma ação corriqueira, normal e do dia a dia. Agregar ao gesto
solidário um sorriso e um abraço pode ser mais fácil do que se imagina.
NO
FIM
“Eu
bebo para conversar com os idiotas, inclusive comigo mesmo” (Jim Morrison).
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