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quinta-feira, 31 de maio de 2012


A CASA É SUA





                            Arnaldo Antunes, ex-Titãs, ex-cabeça dinossauro, ex-bicho escroto, e provavelmente um dos mais geniais artista/compositor de sua geração, fez de sua casa um palco, convidou os vizinhos para serem a plateia e, com sua banda, fez uma apresentação intimista.



                            No repertório, eclético e como sempre instigante, apresentou a canção que reputo emblemática: A Casa é Sua. Quem conhece sabe do que estou falando e quem, eventualmente, não tenha a ela sido apresentado, indico e sugiro a degustação desta poesia, que de tão simples e tão comum a torna especial.



                            Como, portanto, as portas da casa estão sendo abertas e por ser a casa sua, aparecem personagens livremente. Eles vagueiam sobre os cômodos, com a expressa autorização do anfitrião.



                            Desta perspectiva, Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, juiz experiente, nomeado pelo ex-presidente FHC, realiza uma vista ao seu ex-colega de tribunal, Nelson Jobim, político experimentado, no escritório profissional deste. Até aqui, nada a censurar, a menos que um juiz seja proibido de visitar um ex-colega, o qual, agora, esteja no exercício de outra atividade, mesmo que esta faça parte de um contexto que envolva ambos.



                            A questão a ser enfrentada começa pela presença de um terceiro na roda do café: ex-presidente Lula, do qual Jobim, o dono da casa, foi ministro.



                            Estão os três conversando, num encontro em que, primeiro, dizem não ter sido programado, foi coincidência! Segundo, que houve sim uma prévia “convocação” de todos os partícipes.



                            Bom, em qualquer caso a promiscuidade na casa é inevitável: se foi uma coincidência, o juiz não deveria permitir qualquer avanço hipoteticamente realizado pelo ex-presidente ou mesmo pelo dono da casa, devendo em relação contínua tomar todas as atitudes correspondentes a um aliciamento sobre um juiz. Se o encontro foi programado, todos estavam cientes, senão da pauta, mas das consequências de um encontro, considerando quem estava se encontrando.



                            O que eu acho? Gilmar Mendes é o mesmo que, a partir de Demóstenes, acusou a existência de “grampos telefônicos” em seu gabinete enquanto presidente do STF. Não foi encontrado qualquer monitoramento; Nelson Jobim está tentando voltar de onde, na prática, nunca saiu, servindo a casa para os amigos, como um bom cavalheiro. E Lula, na essência de quem recebeu o primeiro diploma (das mãos de Jobim, então presidente do TSE), o de Presidente da República, nada fez em contrário a sua história, ou seja, conversou.



                            O Arnaldo tem razão: A casa é sua.

                                    

NO FIM



                            Quanto o Ministério Público irá solicitar a prisão de Demóstenes?

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