MELANCOLIA
GENUÍNA
Luis Fernando
Veríssimo disse ser um melancólico genuíno, sem disfarces. Não ri “por dentro”,
enquanto a maioria se debruça em gargalhadas. Que o humor necessita ser pinçado
no calabouço, porém com grande dificuldade.
Marcel Proust no
clássico da literatura mundial Em busca
do tempo perdido, em todos os sete volumes e nas mais de 3.000 páginas, permeia
sobre as angústias humanas, com ênfase especial as perdas, a homossexualidade,
a doença e a crueldade, sem que ocorra e definitiva compreensão empírica de
como se deve entender e enfrentar o “tempo perdido”.
E o que está nas
bancas de jornal? A apoteótica saída de Ronaldinho de uma equipe de futebol!
Tirando o aspecto monetário (se isso for possível), que ao final é só o que
interessa aos que fomentam e requentam insistentemente a notícia, o que isso
representa para a sua vida? Eu sei, é um acontecimento que envolve uma (ex)
celebridade, que miseravelmente enfrenta a descida da ladeira. Sei, também, que
o ser humano é apaixonado pela tragédia, especialmente se esta envolve alguém
que um dia foi aplaudido.
Alguém disse certa
feita, que não deve compartilhar os problemas (eu acrescentaria, com exceção da
mãe, esta pode sempre), pois 20% dos ouvintes não darão à mínima, enquanto 80%
ficarão felizes.
Por isso, devemos
buscar no sentimento que visa a paz e a alegria, abstraindo a todo tempo as informações
dirigidas e condicionadas ao sistema “cavalo de leiteiro” e, ao final,
compartilhar as experiências em busca do tempo, mesmo que este possa ter, em
algum momento, sido perdido.
Mas, por favor,
deixem de fora, “simples agregadores de palavras”, como Martha Medeiros, Lia
Luft entre muitos outros.
NO
FIM
Possivelmente tudo
não passe de conflitos que o inverno impõe.
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