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quarta-feira, 6 de junho de 2012


MELANCOLIA GENUÍNA





                            Luis Fernando Veríssimo disse ser um melancólico genuíno, sem disfarces. Não ri “por dentro”, enquanto a maioria se debruça em gargalhadas. Que o humor necessita ser pinçado no calabouço, porém com grande dificuldade.



                            Marcel Proust no clássico da literatura mundial Em busca do tempo perdido, em todos os sete volumes e nas mais de 3.000 páginas, permeia sobre as angústias humanas, com ênfase especial as perdas, a homossexualidade, a doença e a crueldade, sem que ocorra e definitiva compreensão empírica de como se deve entender e enfrentar o “tempo perdido”.



                            E o que está nas bancas de jornal? A apoteótica saída de Ronaldinho de uma equipe de futebol! Tirando o aspecto monetário (se isso for possível), que ao final é só o que interessa aos que fomentam e requentam insistentemente a notícia, o que isso representa para a sua vida? Eu sei, é um acontecimento que envolve uma (ex) celebridade, que miseravelmente enfrenta a descida da ladeira. Sei, também, que o ser humano é apaixonado pela tragédia, especialmente se esta envolve alguém que um dia foi aplaudido.



                            Alguém disse certa feita, que não deve compartilhar os problemas (eu acrescentaria, com exceção da mãe, esta pode sempre), pois 20% dos ouvintes não darão à mínima, enquanto 80% ficarão felizes.



                            Por isso, devemos buscar no sentimento que visa a paz e a alegria, abstraindo a todo tempo as informações dirigidas e condicionadas ao sistema “cavalo de leiteiro” e, ao final, compartilhar as experiências em busca do tempo, mesmo que este possa ter, em algum momento, sido perdido.



                            Mas, por favor, deixem de fora, “simples agregadores de palavras”, como Martha Medeiros, Lia Luft entre muitos outros.

NO FIM



                            Possivelmente tudo não passe de conflitos que o inverno impõe.

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