De minhas
predileções musicais, fosse para citar entre os maiores; fosse para espremer
necessariamente qual a nata que permaneceria, sem qualquer oscilação, sempre
estaria Belchior.
Sempre pensei que ele
nasceu e morreu nos anos 1970. O que ele produziu nesta década não é possível
ordinariamente ser repetido. Tanto isso é verdade que sua obra, com exceções
pontuais, reside desta época, e permanece tão atual como nunca. Repete-se a
todo o momento e permanece tão viva quanto o foi na origem.
A força da letra de
suas músicas, que agregadas à melodia tornavam recorrentemente os dias mais
felizes, mais agradáveis, para podermos como alucinação suportar o dia a dia e
fazer com que nossos delírios sejam experiências com coisas reais.
Ou talvez, para que
não esqueçamos que a velha roupa colorida é como o passado e já não nos serve
mais. Ou, por outro lado, chegar a conclusão que apesar de termos feito tudo o
que fizemos ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.
A vida, a renúncia é exatamente o que foi retratado em sua
obra. Não guardou seus metais. Foi simplesmente e para sempre um rapaz
latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes, vindo do
interior. Quanta identificação!
Não existem mais
Belchior. O resultado e o medo de avião ficaram naquele tempo. Tempo que anda
por fora ou por dentro do meu coração. Nunca mais acontecerá.
Viajava de bicicleta
quanto soube da sua morte. Estava naquilo também por conta dele, como Fedro na
fantasmagórica obra; como deve ser a vida, leve, solta e talvez com a angústia
de um goleiro na hora do gol.
Posso esperar o
analista amigo meu, ou alertar que o amor é coisa mais profunda que um encontro
casual.
NO FIM
São poucos.
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