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quarta-feira, 31 de maio de 2017

CONVERSA DE BAR

                            Minha geração, concebida no início dos anos 1970 (tudo isso já?), sob a égide da tortura e do pau de arara, está ultrapassando 45 anos. Realmente o tempo passa. Sei, Einstein disse (e provou) que o tempo é uma ilusão; que o futuro já aconteceu. Sabia nada! Ou sabia? O certo é que a pele não está mais grudada ao osso e os rios afluentes teimam em aparecer em toda parte do corpo.
        
                     Mas queria dizer mesmo algo sobre nossa geração. Aquela que sentou em bancos escolares e experimentou aulas de EMOCI, OSPB e mais à frente EPB. Alguém sabe o que isso significa? Não? O Google dará uma mãozinha, caso tenham interesse.

                            Uma geração forjada nos campinhos de futebol; nas árvores de bergamota; nos jogos de taco; nas peleias clássicas com bolitas; carrinho de mão; tudo e todos sempre em atividade constante e plena. Claro, o tempo era outro. Mas, como dito, este não existe ou mesmo já passou! Bons tempos!

                            Imaginem que uma das grandes contravenções era bater na campainha das casas e sair correndo; amarrar com fio de náilon uma nota de dinheiro e ficar escondido, puxando sempre que alguém tentasse pegar. Ir ao cinema do ginásio Adolfo Stela e assistir o filme, uma parte de cada lado da arquibancada, para não cansar o pescoço. Não havia como “fraudar” (outra questão grave) a faixa etária que os classificava. Não tinha a idade mínima, não entrava. Todo o domingo, estávamos lá. Foi bom e melhor ainda lembrar.

                            É claro que há fatores importantes que ao tempo de aguçar igualmente freava; era o sistema e dele nós nos alimentávamos. Hoje quem desconhece a história recente do Brasil talvez não entenda. A minha geração sim é produto final da falta de liberdade e da norma pela causa. Disse o poeta: aquele amigo que embarcou comigo/cheio de esperança e fé/já se mandou.

                            Sobrou o “Fliperama Old Times”, do qual rendo homenagem aos amigos André Cerri, Sinclair Bombassaro Júnior, Carlos Ferri e Lairton Zulianello.

NO FIM

                            Por vezes volta tudo.


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