Para os que não
sabem ou mesmo não lembram a ditadura militar produziu um marketing feroz para
sustentar o regime. Frases como “ame-o ou deixe-o; musicas dizendo: “este é um
país que vai pra frente” ou “ninguém segura a juventude”, tinham essencialmente
o objetivo de dar credibilidade e fomentar o sentimento de apoio da população
ao golpe.
Vou fixar-me
unicamente na célebre “ame-o ou deixe-o”. O sentido da afirmação já é a
essência do autoritarismo. Ou seja, não há qualquer possibilidade de uma análise
democrática ou de qualquer discussão. Ou concorda e ama; ou discorda e pega
suas malas.
E o pior disso tudo
é que a massa, ou uma importante quantidade dela, acreditou que o sentido era o
bem. Que não havia inserido dentro do sentido maior exatamente a ordem militar
da qual se aceita ou vai embora, sem espaço para argumentação.
Não se poderia desta
forma, continuar amando e ao mesmo tempo dizer que algumas coisas mereceriam
ser questionadas, e mudadas, no objetivo de amar mais ainda. Não, era simplesmente
“ame-o ou deixe-o”, sem pensar, só aceitar.
A sensação de que a
presença desta trágica e ufanista afirmação está mais evidente do que nunca me
incomoda por demais ultimamente. Não quero deixar mesmo que não esteja amando.
Quero o direito de mudar, amando. Não quero em 2017 ter a condicionante que
fora experimentada há 50 anos. Quero evolução!
Talvez seja o caso
de ficar assim mesmo, uma vez que aqui tem o sorvete belga häagen dazs em
fartura e isso justificaria amar e não deixar o país.
Estou em dúvida.
NO FIM
Pode sobrar somente
o sorvete seco que vinha bexiguinha dentro.
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