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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

AME-O OU DEIXE-O




 

                            Para os que não sabem ou mesmo não lembram a ditadura militar produziu um marketing feroz para sustentar o regime. Frases como “ame-o ou deixe-o; musicas dizendo: “este é um país que vai pra frente” ou “ninguém segura a juventude”, tinham essencialmente o objetivo de dar credibilidade e fomentar o sentimento de apoio da população ao golpe.

                            Vou fixar-me unicamente na célebre “ame-o ou deixe-o”. O sentido da afirmação já é a essência do autoritarismo. Ou seja, não há qualquer possibilidade de uma análise democrática ou de qualquer discussão. Ou concorda e ama; ou discorda e pega suas malas.

                            E o pior disso tudo é que a massa, ou uma importante quantidade dela, acreditou que o sentido era o bem. Que não havia inserido dentro do sentido maior exatamente a ordem militar da qual se aceita ou vai embora, sem espaço para argumentação.

                            Não se poderia desta forma, continuar amando e ao mesmo tempo dizer que algumas coisas mereceriam ser questionadas, e mudadas, no objetivo de amar mais ainda. Não, era simplesmente “ame-o ou deixe-o”, sem pensar, só aceitar.

                            A sensação de que a presença desta trágica e ufanista afirmação está mais evidente do que nunca me incomoda por demais ultimamente. Não quero deixar mesmo que não esteja amando. Quero o direito de mudar, amando. Não quero em 2017 ter a condicionante que fora experimentada há 50 anos. Quero evolução!

                            Talvez seja o caso de ficar assim mesmo, uma vez que aqui tem o sorvete belga häagen dazs em fartura e isso justificaria amar e não deixar o país.

                            Estou em dúvida.

NO FIM

                            Pode sobrar somente o sorvete seco que vinha bexiguinha dentro.

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