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terça-feira, 22 de março de 2016

PAIXÕES


 

                            Lembro-me de um caminhão que circulava (ou ainda circula) por nossa cidade com o seguinte “recado” em seu para-choque: “são muitas emoções, paixões e loucuras”.

                            São muitas mesmo!

                            Das três a paixão é a única imune à infidelidade. Não há traição quando se trata da paixão. Que o diga o futebol; que o diga o sentimento que move o moinho de um amor correspondido, mesmo que dure o tempo que dure; que o diga quem já foi vítima de uma paixão.

                            O problema é quando tal elemento da condição humana ultrapassa os limites do razoável. E aqui entra a política.

                            Em momentos como o atual, onde a sensibilidade aflora e a razão vai para o ralo, surge, com ares de majestade, a paixão, alimentada neste aspecto naturalmente pela emoção e pela loucura.

                            Evidente que não há como “frear” a paixão. Todavia, achar que o “meu lado” está sempre certo e o do vizinho sempre errado, é exatamente a paixão se manifestando da forma mais rasa, pequena e ignorante.

                            Todos contra o meu pensamento estão errados. Aos do meu lado, a glória! Eu é que sei e por isso sou o dono da palavra e talvez do país ou do mundo.

                            Ditadores como Hitler, Mussolini, Pinochet, generais militares da época do golpe de 64 e alguns projetos de ditadores que reiteradamente se apresentam como “mito” têm seguidores, evidentemente, pois, ao contrário, como se estabeleceriam?

                            O problema está exatamente na paixão e não no direito democrático de achar que a câmara de gás é a solução ideal (!). A democracia produz loucos e emocionados. E neste momento, de extrema delicadeza, pela grandiosidade e importância dos fatos que emergem do interior do poder é que nascem os ditos “mitos”, como salvadores de uma terra que eles mesmos fomentam como necessariamente e oportunistamente seja arrasada.

                                      Importante não esquecer que tudo que foi feito, do gás, da escravidão e das torturas (chamadas de uma forma especial de colher depoimentos) estava dentro da lei.

NO FIM

                                      Não recordo mais da marca do caminhão.

 

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