Lembro-me de um
caminhão que circulava (ou ainda circula) por nossa cidade com o seguinte
“recado” em seu para-choque: “são muitas emoções, paixões e loucuras”.
São muitas mesmo!
Das três a paixão é
a única imune à infidelidade. Não há traição quando se trata da paixão. Que o
diga o futebol; que o diga o sentimento que move o moinho de um amor
correspondido, mesmo que dure o tempo que dure; que o diga quem já foi vítima
de uma paixão.
O problema é quando
tal elemento da condição humana ultrapassa os limites do razoável. E aqui entra
a política.
Em momentos como o
atual, onde a sensibilidade aflora e a razão vai para o ralo, surge, com ares
de majestade, a paixão, alimentada neste aspecto naturalmente pela emoção e
pela loucura.
Evidente que não há
como “frear” a paixão. Todavia, achar que o “meu lado” está sempre certo e o do
vizinho sempre errado, é exatamente a paixão se manifestando da forma mais
rasa, pequena e ignorante.
Todos contra o meu
pensamento estão errados. Aos do meu lado, a glória! Eu é que sei e por isso
sou o dono da palavra e talvez do país ou do mundo.
Ditadores como
Hitler, Mussolini, Pinochet, generais militares da época do golpe de 64 e
alguns projetos de ditadores que reiteradamente se apresentam como “mito” têm
seguidores, evidentemente, pois, ao contrário, como se estabeleceriam?
O problema está
exatamente na paixão e não no direito democrático de achar que a câmara de gás
é a solução ideal (!). A democracia produz loucos e emocionados. E neste
momento, de extrema delicadeza, pela grandiosidade e importância dos fatos que
emergem do interior do poder é que nascem os ditos “mitos”, como salvadores de
uma terra que eles mesmos fomentam como necessariamente e oportunistamente seja
arrasada.
Importante
não esquecer que tudo que foi feito, do gás, da escravidão e das torturas
(chamadas de uma forma especial de colher depoimentos) estava dentro da lei.
NO FIM
Não recordo
mais da marca do caminhão.
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