Enfrentarei hoje todas as
intempéries. Escalarei reto, os degraus íngremes desta escada escorregadia.
Superarei o último obstáculo. Sentarei para sorrir.
Tenho
convivido com pessoas deslocadas. Não no sentido de autoexclusão, timidez,
recolhimento estratégico, etc., mas na linha do caráter, da lealdade e de
maneira especial da gratidão.
Conversando,
ou melhor, escrevendo na forma ortodoxamente usual da atualidade (leia-se WhatsApp), num grupo de pensadores
etílicos e que também gostam de chá de boldo, chegamos a uma conclusão tão
evidente quanto a certeza de que a Igreja Católica nunca fala sério quando abre
espaços democráticos: as pessoas são essencialmente más! Confesso que fiquei
chocado com isso. Não, não se trata de ingenuidade, mas sim de acreditar que a
boa-fé é a regra. Ainda acredito, mas um pouco menos.
Se
as pessoas são naturalmente más e, repito, parafraseando sempre, se Deus está morto tudo é permitido, o
que nos resta? O que deve ser
perseguido? Não consigo aceitar que a vaidade comande quase tudo. Não posso acreditar
que a escada, a mesma já citada, seja pavimentada também com pessoas, com ossos
e com sangue. Não, não, não, isso não está acontecendo!
Lembro-me
da sutileza nos ensinamentos empíricos dos humildes. Das casas recheadas de
imagens, coladas sob a madeira mal cuidada, desgastada, quase desmanchando. O
ambiente é humano. As pessoas devem igualmente ser e são. São casas.
Vejo
também misérias muito ricas. Misérias cerebrais, estomacais e também humanas.
Neste momento não quero ser uma pessoa humana. Quero ser algo inanimado, uma
porta, talvez uma pedra ou ainda diferente como um vulto escondido dentro da
imaginação.
Não
quero mais ver a escala quando chegar para sorrir.
NO FIM
Desalento
é muito mais do que tudo isso.
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