Todos são três: a mãe,
o padre e a vereadora. Poderiam, e até foram, um só, mas isso já faz tempo,
mesmo que este, o tempo, como parte do supremo poder, regule quase nada.
Todos estiveram em
muitos lugares, até mesmo juntos algumas vezes, mas nada alterou a origem de
tudo. O marco zero começa agora.
A mãe parece
comandar a maioria das ações; talvez pense assim e que na prática a realidade
divirja, o que torna os assuntos desde o início instigantes, surpreendentes e
até estimulantes.
O padre, do qual se
conhece quase nada, por si já é importante. Recebe muito e só pode dizer pouco,
talvez um pouco mais do pouco. Como deve ser, recepciona, mas não consegue, ou
não pode ver e ser recepcionado. As dificuldades, por isso, são
potencializadas.
A vereadora
possivelmente é quem está mais “amarrada”. Não poderá haver exposição. Todos
olham. Todos são fiscais.
No hipotético
encontro, previamente combinado, em local público, todos vieram sozinhos e com
roupas normais. Não que isso seja anormal, mas importante já que tratamos de
tudo e de todos.
A mãe, como sempre
aconteceu, chegou selvagem e intensa, despejando inclusive arremedos de boas
vindas e recursos verbais até então não conhecidos. O padre, sensato como todo
o praticante de liturgias, de maneira incomum permaneceu calado. A vereadora,
até esboçou uma reação, mas também permaneceu incólume, ao menos até aquele
momento.
O padre, para não
perder o hábito, literalmente, sugeriu que tudo iniciasse com o sinal da cruz.
A vereadora não pensou e o fez. A mãe, por sua vez, lembrando-se de alguém que
conheceu recentemente e que aguçou tanto a intensidade como a sua natureza
selvagem, e primitiva, lascou: prefiro começar com uma pergunta: todos somos
fingidores? E acrescentou: se é somente a verdade que liberta, sairemos algum
dia da prisão?
A vereadora olhou
para o relógio. A mãe para os lados e o padre finalizou: acho que precisamos de
um auxílio etílico!
Todos saíram, com a
certeza de que irão voltar.
NO
FIM
Esquentar o frio e o
gelo.
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