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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

TRÊS




 

                            Todos são três: a mãe, o padre e a vereadora. Poderiam, e até foram, um só, mas isso já faz tempo, mesmo que este, o tempo, como parte do supremo poder, regule quase nada.

 

                            Todos estiveram em muitos lugares, até mesmo juntos algumas vezes, mas nada alterou a origem de tudo. O marco zero começa agora.

 

                            A mãe parece comandar a maioria das ações; talvez pense assim e que na prática a realidade divirja, o que torna os assuntos desde o início instigantes, surpreendentes e até estimulantes.

 

                            O padre, do qual se conhece quase nada, por si já é importante. Recebe muito e só pode dizer pouco, talvez um pouco mais do pouco. Como deve ser, recepciona, mas não consegue, ou não pode ver e ser recepcionado. As dificuldades, por isso, são potencializadas.  

 

                            A vereadora possivelmente é quem está mais “amarrada”. Não poderá haver exposição. Todos olham. Todos são fiscais.

 

                            No hipotético encontro, previamente combinado, em local público, todos vieram sozinhos e com roupas normais. Não que isso seja anormal, mas importante já que tratamos de tudo e de todos.

 

                            A mãe, como sempre aconteceu, chegou selvagem e intensa, despejando inclusive arremedos de boas vindas e recursos verbais até então não conhecidos. O padre, sensato como todo o praticante de liturgias, de maneira incomum permaneceu calado. A vereadora, até esboçou uma reação, mas também permaneceu incólume, ao menos até aquele momento.

 

                            O padre, para não perder o hábito, literalmente, sugeriu que tudo iniciasse com o sinal da cruz. A vereadora não pensou e o fez. A mãe, por sua vez, lembrando-se de alguém que conheceu recentemente e que aguçou tanto a intensidade como a sua natureza selvagem, e primitiva, lascou: prefiro começar com uma pergunta: todos somos fingidores? E acrescentou: se é somente a verdade que liberta, sairemos algum dia da prisão?

 

                            A vereadora olhou para o relógio. A mãe para os lados e o padre finalizou: acho que precisamos de um auxílio etílico!

 

                            Todos saíram, com a certeza de que irão voltar.

 

NO FIM

 

                            Esquentar o frio e o gelo.

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