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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

SCALDERAI




 

                           

                            Não aprecio muito pensar nas colaborações como prêmio; nos alcaguetes; X9 ou na popular “delação premiada”. Isso me leva inevitavelmente aos porões escuros que alimentam os reacionários.

 

                            A entrega ou a delação remonta, somente para os desavisados ou simplesmente desconhecedores, das Ordenações de Felipe, também conhecidas como Filipinas, que foi a base para do direito brasileiro. Ou seja, o negócio não é de hoje!

 

                            Claro que não se trata de um expediente antijurídico, todavia sua utilização (forma e método) recente e aos quatro ventos indica uma quebra de paradigma no sistema jurídico penal. O dispositivo constitucional que garante presunção de inocência é substituído pela presunção de culpa. Todos são culpados até que provem o contrário! Bingo!

 

                            A questão é: prender (nada de anormal); manter a prisão até que o preso diga o que se está pretendo que ele diga. Leia-se: pretensão de quem investiga e de quem acusa. Aí a “porca torce o rabo”.

 

                            Que fique claro: não há qualquer defesa aos indiciados ou já culpados em primeiro julgamento. O que indica a clara inversão da ordem jurídica são os meios para que o eco da confissão venha na forma de gritos gagos. A prisão não é exceção, como toda deveria ser até o juízo condenatório final. A prisão se tornou um meio para conseguir driblar o direito de defesa. E isso, amigos, está fora da ordem jurídica.

 

                            Vejam que a indagação é estritamente jurídica, absolutamente diversa do grau de inocência ou de culpa.

 

                            Aliás, guardadas as proporções da comparação, na ditadura militar as torturas eram o meio considerado mais eficaz (e era mesmo) para confissões ou “colaborações premiadas”.

 

                            Não disse nada sobre a igual e evidente incompatibilidade territorial para que todos os julgamentos da operação que “limpa tudo”, bem como o show pirotécnico alimentado pela imprensa, a qual, sem qualquer dúvida, também faz sua parte.

 

NO FIM

 

                            Tenho receio de tudo isso.

 

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