Recebo um “whats”
(quem hoje não recebe) de uma colega da capital do estado que retrata um
episódio emblemático de nossa realidade: caminhando pelo bairro Bom Fim, por
volta das 17h da última terça-feira, quando a poucos metros percebe uma
movimentação, correria e tiros, muitos tiros. Imediatamente vê às pessoas se
jogarem ao chão, desesperadas, apavoradas, sem saber o que acontecia. Somente
que o que acontecia era muito grave.
Ela, num instinto,
se joga para dentro de um bar e se posiciona atrás de um freezer. Muitos
tiveram a mesma ideia, enquanto os tiros continuavam intensos.
Após o resultado de
tudo, viu um homem caído, baleado na cabeça e nas costas, praticamente ao seu
lado, sendo a fuga dos atiradores que entraram em conflito com um policial a
paisana que passava pelo local continuava algumas quadras dali.
Para quem conhece o
bairro sabe da movimentação neste horário. Nada disso, contudo, faz qualquer
diferença nesta guerra civil. Não há local. Todos os locais são locais para o
estabelecimento e consolidação dos atos criminosos. Inclusive com circulação de
balas.
As pessoas, disse-me
ela, estavam atônitas. Crianças, idosos, pessoas comuns, que voltavam do
supermercado, de uma corrida ou simplesmente de um passeio, minha amiga que
estava indo à aula, todos, circularam ao lado da morte.
Pensar que, além do
crime estar hoje tão comum quanto escovar os dentes, os policiais estão
aquartelados; sem receber seus vencimentos. Os professores em greve, como a
maioria dos servidores públicos deste estado falido. Os servidores da SUSEPE,
com razão, porque também sem receber, deixam de realizar o serviço comum nos
presídios. Audiências judiciais são prejudicadas. O crime se avoluma.
Tudo para dizer que
“o sacrifício é de todos”, apesar de que “todos” não incluem o legislativo e o
judiciário; talvez porque estes não façam parte do “todos”.
Tudo para justificar
aumento de ICMS, privatizações, etc., num claro sinal de que tudo resta
invertido, tudo está fora de controle.
Não há soluções e
nem perspectivas.
NO
FIM
O “pior” é que vai
“piorar”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário