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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

RACISMO




 

                            A condenação do clube de três cores do Rio Grande do Sul por injúrias raciais é o fato futebolístico e social do momento. O Superior Tribunal da Justiça Desportiva, em julgamento emblemático, excluí a equipe de uma competição nacional por força de atitude de seus torcedores. O ponto de discussão: até onde o clube é responsável por atitudes de seus torcedores?

 

                            Entendo, com todo o respeito aos que pensam contrariamente, que o clube deve sim suportar os encargos de atitudes como a presente, sobretudo quando há reincidência. E aqui, por favor entendam, não se trata do clube específico, mas todo e qualquer agremiação de futebol ou igualmente de qualquer outro esporte, permanecendo somente neste âmbito.

 

                            Não há mais como aceitar que as pessoas livremente e impunemente agridam seu semelhante da forma mais baixa e cruel, se escondendo atrás do pífio argumento de que dentro de um estádio de futebol está quase tudo liberado.

 

                            Mais, e ainda bem que isso hoje acontece, está tudo filmado. Se outrora a “dificuldade de identificação” era a tônica, hoje isso não mais ocorre. As pessoas estão perfeitamente identificadas, inclusive aquelas que estufam o peito e dizem que chamar o outro de “macaco”, também através de cânticos, não tem conotação racista! Tem o que então?

 

                            E onde entra a instituição? Exatamente no fato de ser no mínimo conivente, com os cânticos, avalizando e dando suporte financeiro aos torcedores que praticam este crime. Se as atitudes, e repito, de todos os clubes, não forem radicais, e isso não passa por paliativos oportunistas após os fatos ocorridos, eles devem sim pagar a conta, a qual, espero, seja cada vez mais pesada.

 

                            Não vamos olvidar que o racismo está em todos os lugares, contudo não podemos deixar que tal atitude criminosa seja aceita, seja contemporizada de alguma forma, sob o manto e argumento de que se trata de um local onde as pessoas vão para extravazar.

 

                            Perdoem-me, mas tal argumento é tão ofensivo como o ato em si.

 

NO FIM

 

                            Tudo isso, aguardo ansioso, deve mudar um dia. Será?

 

                           

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                           

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