A condenação
do clube de três cores do Rio Grande do Sul por injúrias raciais é o fato
futebolístico e social do momento. O Superior Tribunal da Justiça Desportiva,
em julgamento emblemático, excluí a equipe de uma competição nacional por força
de atitude de seus torcedores. O ponto de discussão: até onde o clube é
responsável por atitudes de seus torcedores?
Entendo,
com todo o respeito aos que pensam contrariamente, que o clube deve sim
suportar os encargos de atitudes como a presente, sobretudo quando há
reincidência. E aqui, por favor entendam, não se trata do clube específico, mas
todo e qualquer agremiação de futebol ou igualmente de qualquer outro esporte,
permanecendo somente neste âmbito.
Não há
mais como aceitar que as pessoas livremente e impunemente agridam seu
semelhante da forma mais baixa e cruel, se escondendo atrás do pífio argumento
de que dentro de um estádio de futebol está quase tudo liberado.
Mais, e
ainda bem que isso hoje acontece, está tudo filmado. Se outrora a “dificuldade
de identificação” era a tônica, hoje isso não mais ocorre. As pessoas estão
perfeitamente identificadas, inclusive aquelas que estufam o peito e dizem que
chamar o outro de “macaco”, também através de cânticos, não tem conotação
racista! Tem o que então?
E onde
entra a instituição? Exatamente no fato de ser no mínimo conivente, com os
cânticos, avalizando e dando suporte financeiro aos torcedores que praticam
este crime. Se as atitudes, e repito, de todos os clubes, não forem radicais, e
isso não passa por paliativos oportunistas após os fatos ocorridos, eles devem
sim pagar a conta, a qual, espero, seja cada vez mais pesada.
Não
vamos olvidar que o racismo está em todos os lugares, contudo não podemos
deixar que tal atitude criminosa seja aceita, seja contemporizada de alguma
forma, sob o manto e argumento de que se trata de um local onde as pessoas vão
para extravazar.
Perdoem-me,
mas tal argumento é tão ofensivo como o ato em si.
NO FIM
Tudo
isso, aguardo ansioso, deve mudar um dia. Será?
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