Kafka
escreveu Carta ao Pai em pouco mais do que uma semana. Em pouco
mais de uma semana algo para sempre. Em aproximadamente cem páginas tudo o que
muitos sentem e não dizem ou não conseguem dizer a quem deveria ouvir.
Kafka
não era mais criança. Pelo contrário. Tinha à época 36 anos e não conseguiu
escapar ileso da herança adquirida em vida de nunca poder dialogar com o seu
pai.
Quantos
muros se estendem entre um pai e um filho?
É muito
preocupante tudo isso. Quando falta diálogo, muito provavelmente falta quase
tudo. O essencial é sentir e agir. Não deixar para depois uma conversa que
deveria acontecer sempre, porque razões para “jogarmos o problema no porão” são
tantas, que por vezes podemos ficar contaminados e estimulados à inércia, que
fatalmente nos levará ao descaso, o qual levará tudo a perder.
As
nuances são tantas que podemos deixar passar entre os dedos a possibilidade de
resolver algo simples, e, isso, infelizmente, pode furtar o tempo precioso e a
oportunidade.
Qual a
dificuldade do abraço, do beijo, do falar exatamente aquilo que estamos
sentindo, se é somente assim que alcançamos a liberdade? É por tal caminho, por
este pequeno, estranho e simples caminho que poderemos viver, pois a vida é o
que importa.
Os muros
devem ser derrubados. Sei, alguns possuem uma massa tão forte, tão resistente,
que o desmanchar é muito longe de ser uma ação simples. Mas, o que é simples?
Tudo é
importante demais para que sejam feitos cálculos. A matemática é outra. Poucos
percebem.
Kafka
nunca enviou a sua carta ao pai.
NO FIM
Liberte-se.
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