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quinta-feira, 14 de novembro de 2013


SER TALVEZ HUMANO

 

                            Caminho sem documentos e vejo lançado num muro qualquer: Soy un ser humano, no doblar, romper o torcer. Imediatamente paro e fico analisando a profundidade daquilo que lá está, sem, contudo, deixar de igualmente enfrentar e perceber a multidão anônima que transita. O anonimato da frase contagia intensamente como o povo acostumado ou, possivelmente, desinteressado pelo cotidiano dos passos recorrentes daquele lugar.

 

                            Um lugar onde a energia se espante nas esquinas; onde as pessoas ou las personas não passam de um mesmo povo, dentro do mesmo sistema e que buscam o mesmo fim.

 

                            Não se trata de inveja. Longe disso. Propaga-se aleatoriamente e indefinidamente como aquele sujeito que fala transpirando confiança sem exigi-la. Ou aquele outro que a indefinição é tanta que nem mesmo sua idade poderá ser desvendada. Naturalmente ser humano.

 

                            Continuo. Acompanho meus passos e todos os demais que circundam e deparo-me com uma cena encantadora: um mendigo tocando saxofone. Muitas mesas, repletas de pessoas, de copos que se tocavam num verdadeiro balé; de xícaras que subiam e novamente desciam repousando sob uma base que também mantinha sintonia com a música. Percebia a vida pulsando e, outra vez, pensei na felicidade, sua efemeridade, no fim e no recomeço. Ah vida! Que bela e que traiçoeira sua presença.

 

                            Não pude desviar mais do músico, que matinha um surrado chapéu de pano onde repousavam escassas moedas, que poderiam ser traduzidas num café, num sanduiche ou mais provavelmente na busca de um refúgio líquido e alucinógeno que lhe desse o combustível necessário para que viesse a seguir.

 

                            Tudo não passava do evidente. Tudo era conhecido.

 

NO FIM

 

                            Como entender que o pequeno possa ser tão grande?

 

 

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