SER TALVEZ HUMANO
Caminho
sem documentos e vejo lançado num muro qualquer: Soy un ser humano,
no doblar, romper o torcer. Imediatamente
paro e fico analisando a profundidade daquilo que lá está, sem, contudo, deixar
de igualmente enfrentar e perceber a multidão anônima que transita. O anonimato
da frase contagia intensamente como o povo acostumado ou, possivelmente,
desinteressado pelo cotidiano dos passos recorrentes daquele lugar.
Um lugar
onde a energia se espante nas esquinas; onde as pessoas ou las personas não passam de um mesmo povo, dentro do mesmo
sistema e que buscam o mesmo fim.
Não se
trata de inveja. Longe disso. Propaga-se aleatoriamente e indefinidamente como aquele
sujeito que fala transpirando confiança sem exigi-la. Ou aquele outro que a
indefinição é tanta que nem mesmo sua idade poderá ser desvendada. Naturalmente
ser humano.
Continuo.
Acompanho meus passos e todos os demais que circundam e deparo-me com uma cena
encantadora: um mendigo tocando saxofone. Muitas mesas, repletas de
pessoas, de copos que se tocavam num verdadeiro balé; de xícaras que subiam e
novamente desciam repousando sob uma base que também mantinha sintonia com a
música. Percebia a vida pulsando e, outra vez, pensei na felicidade, sua
efemeridade, no fim e no recomeço. Ah vida! Que bela e que traiçoeira sua
presença.
Não pude
desviar mais do músico, que matinha um surrado chapéu de pano onde repousavam
escassas moedas, que poderiam ser traduzidas num café, num sanduiche ou mais
provavelmente na busca de um refúgio líquido e alucinógeno que lhe desse o
combustível necessário para que viesse a seguir.
Tudo não
passava do evidente. Tudo era conhecido.
NO FIM
Como
entender que o pequeno possa ser tão grande?
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