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quinta-feira, 9 de agosto de 2012


VENCENDO OS MEDOS





                            Na semana em que morreu Celso Blues Boy, um dos grandes que remanesciam da década que perdeu o condutor, assisti uma nova entrevista do filósofo francês Luc Ferry, que falou especialmente sobre os medos e como enfrentá-los ou, quem sabe, vencê-los.



                            Discorrer sobre “medos” de uma perspectiva patológica e metafísica foi a proposta básica da palestra. Não por coincidência o mediador e entrevistador era um médico psicanalista.



                            Disse Ferry, em outras palavras, que a angústia patológica, uma vez tratada adequadamente, através da psicanálise ou de métodos correlatos, caminhará para uma eventual cura. Quando esta cura foi detectada, onde se atinge o exato ponto de equilíbrio entre as razões do tratamento e as consequências deste, faz nascer, automaticamente a angústia metafísica, ou seja, a cura não traduz exatamente uma cura.



                            Se patologicamente o estado perseguido foi atingido, os nossos males, ou a angústia metafísica, como por exemplo, o medo da morte ou da perda inevitável de um ente querido, faz com que permaneçamos num estado de medo invariavelmente sem transposição e não haja como vencer tal obstáculo.



                            Portanto, a palavra cura na acepção do seu sentido talvez nunca tenha guarida, pois, lançar mão de um estado aceitável patologicamente não desfaz a angústia criada a partir do ingresso da filosofia ou da metafísica.



                            Ferry percorreu também por outros cantos do processo. Disse que não se deve casar por amor ou a partir deste, porque tais institutos são incompatíveis entre si, posto que, um anula o outro. Relembrou que os casamentos antigos eram sempre por interesse: patrimoniais, por nomes e sobrenomes, sendo que a escolha se deu a partir das revoluções e evoluções, onde o cidadão, a partir do recebimento de um salário que o desprendia do cordão umbilical familiar, pode optar, entre o arranjo e o desejo. Porém, esta deverá ser outra história.



NO FIM



                            Concordo com o Mário Quintana: a morte sempre aparece pontualmente na hora incerta.


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