VENCENDO OS MEDOS
Na
semana em que morreu Celso Blues Boy, um dos grandes que remanesciam da década que perdeu o
condutor, assisti uma nova
entrevista do filósofo francês Luc Ferry, que falou especialmente sobre os
medos e como enfrentá-los ou, quem sabe, vencê-los.
Discorrer
sobre “medos” de uma perspectiva patológica e metafísica foi a proposta básica
da palestra. Não por coincidência o mediador e entrevistador era um médico
psicanalista.
Disse Ferry, em outras palavras, que a angústia
patológica, uma vez tratada adequadamente, através da psicanálise ou de métodos
correlatos, caminhará para uma eventual cura. Quando esta cura foi detectada, onde se atinge o exato ponto
de equilíbrio entre as razões do tratamento e as consequências deste, faz
nascer, automaticamente a angústia metafísica, ou seja, a cura não traduz exatamente uma cura.
Se
patologicamente o estado perseguido foi atingido, os nossos males, ou a
angústia metafísica, como por exemplo, o medo da morte ou da perda inevitável
de um ente querido, faz com que permaneçamos num estado de medo invariavelmente
sem transposição e não haja como vencer tal obstáculo.
Portanto,
a palavra cura na acepção do seu sentido talvez nunca tenha
guarida, pois, lançar mão de um estado aceitável patologicamente não desfaz a
angústia criada a partir do ingresso da filosofia ou da metafísica.
Ferry
percorreu também por outros cantos do processo. Disse que não se deve casar por
amor ou a partir deste, porque tais institutos são incompatíveis entre si,
posto que, um anula o outro. Relembrou que os casamentos antigos eram sempre
por interesse: patrimoniais, por nomes e sobrenomes, sendo que a escolha se deu
a partir das revoluções e evoluções, onde o cidadão, a partir do recebimento de
um salário que o desprendia do cordão umbilical familiar, pode optar, entre o
arranjo e o desejo. Porém, esta deverá ser outra história.
NO FIM
Concordo
com o Mário Quintana: a morte sempre aparece pontualmente na hora
incerta.
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