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sexta-feira, 3 de agosto de 2012


O BOM, O MAU E O FEIO                                                        





                            Eram três: o Bom, triste e melancólico; o Mau, alegre e contagiante, e o feio, que era só Feio.



                            Encontraram-se numa espécie de quermesse, daquelas clássicas, contudo sem conotação religiosa. Ou, talvez, a religiosidade fosse latente, porém em sentido diverso.



                            O Bom estava lá pela primeira vez; o Mau sempre por lá estava; o Feio, apesar de insistir, não tinha estado mais do que três ou quatro vezes.



                            As mesas estavam postas perpendicularmente, ao passo que o Bom enxergava o Mau, que enxergava o Feio, que não enxergava ninguém, porque, além de Feio, havia um pilar que fora construído exatamente em seu campo de visão.



                            Havia danças, bebidas, conversas altas e risadas estridentes, sendo o ambiente com mais fumaça que a Av. Afonso Pena enquanto o churrasco matutino de todos os domingos.



                            O Bom com nada se agradava. O Mau parecia que tinha saído da prisão, pois exarava felicidade. O Feio continuava sendo somente Feio.



                            A vida se desenvolvia naquele local, como a vida se desenvolve em locais como aquele. Todos são amigos, sendo que os poucos que assim não consideram são convidados a não permanecerem.



                            Há passagens, há encontros, tudo naturalmente orquestrados por fatos etílicos e por uma sensualidade que pairam sobre o ar. Que navega da retina até os porões obscuros da mente. Que indica o futuro e reparte a esperança.



                            Muitos lá se confessam. Claro que de uma forma diferente daquela que todos lembram. A entrega dos segredos, que a religião - da sua maneira de recepcionar tais segredos - sempre alimenta como carga e consequência, vagam e gravitam pelo ar, sem qualquer resistência do pecado, do certo ou do errado.



                            O Bom permaneceu inerte por toda a noite. O Mau se deu bem, pois saiu cedo e aos braços da ilusão que visualizou quando ainda lançava à garganta os primeiros goles daquilo que seca a resistência.



                            O Feio, bom o Feio não ultrapassou o pilar, continuando na sua circular jornada que sempre evitou um passo fora do círculo.



NO FIM



                            Não seja aquele que anda sempre pela mesma rota.


















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