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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

FALÊNCIA




 

                                      Deputado Ibsen Pinheiro em coluna publicada esta semana, começa assim: Um juiz federal proibiu a lama do Rio Doce de chegar ao mar, e enquanto nos perguntávamos como se comportariam as águas, se obedientes ou revoltas, eis que, em seguida, um juiz estadual liberou-as, também liminarmente, num conflito de competência que ainda não se encerrou antes que a instância superior decida quem tem razão, o rio ou o mar. Vai sobrar para a pororoca amazônica.

 

                                      Aí, pensei: se as águas não obedecerem eventualmente o comando judicial, como será materializado o crime de desobediência ou aplicada multa?

 

                                      A esdrúxula situação traduz de maneira figurada o caos que o Poder Judiciário estacionou. Propaga-se, e com razão, a falência do sistema de saúde, dos hospitais, dos atendimentos, das filas, mortes, etc. Contudo, a falência da dinâmica que traduz a prestação jurisdicional é tão pior quanto, talvez superior. Vamos fixar num exemplo muito simples: acreditar que uma simples petição (um pedido) demore um ano para ser anexado aos autos do processo, para que, após, seja levado ao magistrado, é a materialização da falência total também deste sistema.

 

                                      Existe carência em todos os sentidos e de maneira especial de material humano. Não há servidores suficientes, sendo de uma ingenuidade monumental esperar que estagiários, apesar de sempre muito solícitos, engajados e que na maioria das vezes realizam atividades até mesmo que superam suas obrigações ordinárias, possam suprir o trabalho de um servidor concursado e tecnicamente preparado para enfrentar as nuances específicas e particulares da profissão.

 

                                      Mais ainda, vivemos uma nova realidade com a implantação do processo eletrônico, onde se outrora os escritórios sempre estavam vinculados exclusivamente a questões externas como as contábeis, hoje tudo necessita de técnicos em informática, de programadores, de um pronto socorro eletrônico vinte e quatro horas.

 

                                      Por isso, além da dita falência do sistema como um todo, tal nova realidade exclui mais do que inclui, tornando o alardeado caos uma consolidação definitiva.

 

                                      Ao par disso, a máquina esta preocupada em “proibir ou garantir” o curso do rio para o mar!

 

NO FIM

 

                                      Para o mundo, outra vez, que eu quero descer.  

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