NOS PORÕES
Negra
Lu, personagem da Esquina Maldita, pelos idos de 1960/1970, revivida
atualmente na obra (com o mesmo nome) do Foguinho, lançada na Feira do Livro em
Porto Alegre, tinha entre muitas, uma frase definitiva: “Não sou mulher de
muita maquiagem, mas sei utilizar os talheres”.
Emitir uma opinião, sobre a mais rasa
possibilidade de eco, deve necessariamente vir acompanhada de, primeiro,
responsabilidade e, após, conteúdo básico que a sustente.
Visualizei,
com muito respeito, algumas posições sobre questões recorrentes que norteiam a
humanidade, as quais, desde a muito tempo e notadamente nos últimos, tem
angustiado milhares e, por esta razão, indicam o aprimoramento das discussões.
Uma
delas é o aborto, outra a pena de morte e outra ainda é a descriminalização das
drogas. Todos recaem sobre pilares históricos e quem vem carregado de muitos
conceitos prévios que por vezes sofrem relativização e ou censura
correspondente.
Já
expressei minha opinião, diversas vezes, neste espaço e em outros, sobre a
minha total concordância com o aborto, desde que evidentemente seja realizado
no espaço de tempo que a medicina indica como possível, sendo tal ato mera
faculdade da gestante, sem interferência de ninguém, especialmente do
“pensamento divino”, que sempre vem alimentado por questões subjetivas e que
não mantém coerência com o que é palpável.
A pena
de morte é a maior prova de que o ser humano ainda não conseguiu se livrar do
seu lado animal. A justificativa, mais uma vez, é conversa de botequim. Vou
matar quem matou! A forma e os meios serão exatamente buscando o mesmo fim:
assassinar. O que diferencia é que, um deles, será uma morte avalizada pelo
Estado. No mais, não há qualquer diferença. Não se ingressa, por fim, na seara
dos conhecidos e reconhecidos erros judiciários que inúmeras vezes levaram um
inocente a este fim.
Quanto a
liberação das drogas, notadamente como já o fez o Uruguai em relação específica
da maconha (já feito com o aborto), a discussão deverá ser aprimorada, como
debates multidisciplinares, buscando subsídios sobre os aspectos legais,
médicos, estruturais, sociais, antropológicos, filosóficos, etc, etc., sem
novamente trazer a tona conversas sem responsabilidades e sem um cunho que essencialmente
vise, sob todos os aspectos, o aprimoramento e o contexto da convivência humana
em si.
Aguardo
tudo, especialmente as críticas e as contribuições, sem esquecer as premissas
da Negra Lu.
NO FIM
Toda
manifestação deve ser agasalhada pela ética aos valores, pela coerência e a razão.
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