GERAÇÃO
DESERTA
Minha geração
nasceu, foi gerada e deu seus primeiros passos no auge da ditadura militar.
Portanto, somos “frutos” concebidos e criados sob a sombra de um período
essencialmente sombrio, com perdão ao trocadilho sem graça.
Também
neste período, a partir do final dos anos 1960 e por praticamente toda a década
de 1970, a produção artística brasileira, passando dos poetas, da música, dos
filmes e da arte como um todo, foi extraordinariamente rica, o que culminou com
todos aqueles que hoje flutuam entre os 60 e 80 anos de idade, em média.
Estes
senhores, os jovens da época, foram sim protagonistas, dentro de um mundo que
girava sob outra órbita, quer seja no aspecto político, filosófico, cultural,
estrutural, bélico, etc. É evidente que o combustível - e o resultado de tudo -
para o que foram e o que são é vinculado às experiências da época e pela época.
Tal
constatação faz nascer uma distância assustadora entre aquela geração, do
período em que a minha foi concebida, e a atual ou as duas últimas.
O “tudo
pronto” dentro de um conceito de progresso, sobretudo progresso virtual, da
geração “cola e copia” traduz a falta da essência; a não estabilização de
paradigmas e ao final a deficiência no pensar.
O regime
de exceção, período dos mais nefastos de nossa história, ajudou, incrivelmente,
naturalmente e obviamente, a estabelecer um novo padrão e um novo conceito de
pensar, especialmente em relação aos jovens, intelectuais e com sede de ver
tudo acontecer.
Hoje o
período é muito diferente. Não há ditadura, ainda bem. Mas, igualmente não
existe estímulo para que possamos ver derrubarem o muro e o brete onde estão muitos, infelizmente,
sem conseguir enxergar dois passos à frente do facebook.
Não interpretem
isso como saudosismos à época da crueldade. Mas, tão somente como um evidente
conflito paradoxal contempla e perfuma o caminho da humanidade.
NO
FIM
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