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quinta-feira, 29 de março de 2012




GERAÇÃO DESERTA





                                      Minha geração nasceu, foi gerada e deu seus primeiros passos no auge da ditadura militar. Portanto, somos “frutos” concebidos e criados sob a sombra de um período essencialmente sombrio, com perdão ao trocadilho sem graça.



                                      Também neste período, a partir do final dos anos 1960 e por praticamente toda a década de 1970, a produção artística brasileira, passando dos poetas, da música, dos filmes e da arte como um todo, foi extraordinariamente rica, o que culminou com todos aqueles que hoje flutuam entre os 60 e 80 anos de idade, em média.



                                      Estes senhores, os jovens da época, foram sim protagonistas, dentro de um mundo que girava sob outra órbita, quer seja no aspecto político, filosófico, cultural, estrutural, bélico, etc. É evidente que o combustível - e o resultado de tudo - para o que foram e o que são é vinculado às experiências da época e pela época.



                                      Tal constatação faz nascer uma distância assustadora entre aquela geração, do período em que a minha foi concebida, e a atual ou as duas últimas.



                                      O “tudo pronto” dentro de um conceito de progresso, sobretudo progresso virtual, da geração “cola e copia” traduz a falta da essência; a não estabilização de paradigmas e ao final a deficiência no pensar.



                                      O regime de exceção, período dos mais nefastos de nossa história, ajudou, incrivelmente, naturalmente e obviamente, a estabelecer um novo padrão e um novo conceito de pensar, especialmente em relação aos jovens, intelectuais e com sede de ver tudo acontecer.



                                      Hoje o período é muito diferente. Não há ditadura, ainda bem. Mas, igualmente não existe estímulo para que possamos ver derrubarem o muro e o brete onde estão muitos, infelizmente, sem conseguir enxergar dois passos à frente do facebook.



                                      Não interpretem isso como saudosismos à época da crueldade. Mas, tão somente como um evidente conflito paradoxal contempla e perfuma o caminho da humanidade.



NO FIM


                                      Tudo isso acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos pombos (...).  

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