Vencida a requentada fase política de aproximações, distanciamentos, acusações, ditos vitoriosos e vencidos, alegres, espectadores e também expectadores, preocupados e nem tantos, retomamos ao ortodoxo cotidiano.
Penso em alguma novidade. Olhos para os lados e percebo a igualdade nas diferenças. Lembro de Steven Pinker no interessante Do que é feito o pensamento, onde busca na linguagem uma janela para uma possível explicação da natureza humana. As palavras como construção do pensamento. A vida atrás das cortinas labiais e da etimologia como ponto de partida.
No bate papo de terça-feira passada, junto aos grandes do programa da rádio Lagoa FM que vai ao ar neste mesmo dia sempre às 22h, retomamos passagens de Kafka, com rasantes sobre posições, escritas e frases emblemáticas. Não deixei de referir duas que reputo essenciais: a primeira do personagem em O Processo, onde após o questionamento sobre a declaração de inocência, o mesmo diz: inocente de quê? (não leu O Processo? Sugiro, então); a segunda, no leito de morte, já não aguentando mais tanta debilidade e comunicando-se somente através de bilhetes, flecha: mate-me, senão o senhor será considerado um assassino!
As palavras são tudo isso. Abrem-se ao vento e flutuam sobre o nada. O ser humano deve ser visualizado, deve ser “fiscalizado” sobre esta perspectiva. Eu acho, apesar do que perdi ainda não consegui encontrar.
O campo é minado, ou parafraseando Bandalheira: saca onde pisa meu chapa! E para pisar, nada mais apropriado que os pés descalços, onde a troca encontra o seu estado mais primitivo e também, sobretudo, onde a fonte das palavras encontra sua origem básica. Ou alguém tem dúvidas quanto a beleza dos dedos da donzela tocando a grama? Bom, isto é outra história.
NO FIM
Em sentido e no sentido oposto, cito Hemingway, para a razão do nosso outro sentido: “O vinho é uma das substâncias mais civilizadas do mundo, uma das coisas materiais levadas ao mais alto grau de perfeição e que oferece mais prazeres e satisfações que qualquer outra que se compre com intenções puramente sensoriais”.
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