Cheguei aos 46. Sei
que isso muito pouco importa à humanidade. Porém o acúmulo dos anos sempre traz
consigo alguns elementos os quais inegavelmente não é possível descartar.
Aquela dorzinha nas
costas que teima em participar de todos os eventos que estou presente; aquele
desconforto muscular nas panturrilhas; a coluna que já veio de fábrica um pouco
avariada; enfim, toda a bagagem física acumulada no decorrer do tempo e após o
ser humano consolidar-se como bípede.
Nada disso, contudo,
me fez privar de ver (bem de perto) exatamente dois veteranos clássicos: James
Taylor e Elton John. Sim, eu também
estive lá. Talvez também em muitos outros lugares durante as quase quatro horas
de espetáculo.
James Taylor esteve
no Rock In Rio de 1985 e desde lá contagia os brasileiros que conhecem a boa
música. Lembra muito fisicamente meu saudoso avô Mário Muraro, senhor alto,
magro e com passadas firmes. Elton John, que além de “Sir”, canta Tiny Dancer e
Your Song, o que já o credencia entre os muito grandes.
O ambiente estava
rodeado de muito outros veteranos. Muitas caras, muitos estilos, muitos
singulares essencialmente.
Porém, o que
definitivamente me tocou foi o encontro furtuito que no dia seguinte tive com
uma senhora quando almoçava. Ela servindo seu prato (sopa de ervilhas),
animadamente fez menção sobre o show e definiu: fui para ver Elton e assisti o
James!
Olhei àquela senhora
certamente octogenária, caminhando com dificuldade, mas expulsando dos pulmões
palavras sobre um espetáculo noturno que presenciou no dia anterior, fez com
que mais uma vez percebi que a vida é um grande acontecimento.
Na próxima experimentarei
também a mesma sopa de ervilhas.
NO FIM
A vida.
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