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quinta-feira, 6 de abril de 2017

VETERANOS




                            Cheguei aos 46. Sei que isso muito pouco importa à humanidade. Porém o acúmulo dos anos sempre traz consigo alguns elementos os quais inegavelmente não é possível descartar.

                            Aquela dorzinha nas costas que teima em participar de todos os eventos que estou presente; aquele desconforto muscular nas panturrilhas; a coluna que já veio de fábrica um pouco avariada; enfim, toda a bagagem física acumulada no decorrer do tempo e após o ser humano consolidar-se como bípede.

                            Nada disso, contudo, me fez privar de ver (bem de perto) exatamente dois veteranos clássicos: James Taylor e Elton John.  Sim, eu também estive lá. Talvez também em muitos outros lugares durante as quase quatro horas de espetáculo.

                            James Taylor esteve no Rock In Rio de 1985 e desde lá contagia os brasileiros que conhecem a boa música. Lembra muito fisicamente meu saudoso avô Mário Muraro, senhor alto, magro e com passadas firmes. Elton John, que além de “Sir”, canta Tiny Dancer e Your Song, o que já o credencia entre os muito grandes.

                            O ambiente estava rodeado de muito outros veteranos. Muitas caras, muitos estilos, muitos singulares essencialmente.

                            Porém, o que definitivamente me tocou foi o encontro furtuito que no dia seguinte tive com uma senhora quando almoçava. Ela servindo seu prato (sopa de ervilhas), animadamente fez menção sobre o show e definiu: fui para ver Elton e assisti o James!

                            Olhei àquela senhora certamente octogenária, caminhando com dificuldade, mas expulsando dos pulmões palavras sobre um espetáculo noturno que presenciou no dia anterior, fez com que mais uma vez percebi que a vida é um grande acontecimento.

                            Na próxima experimentarei também a mesma sopa de ervilhas.

NO FIM

                            A vida.

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