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quarta-feira, 20 de abril de 2016

CIRCO



                            Tem o ditado que diz: dor de barriga não dá uma só vez! Mas, confesso: a dor que tive domingo - o dia da votação -, e a ânsia de vômito que veio no apoio foi indescritível. Foi uma sensação conjunta de desânimo, de desprezo, de vergonha, de falta de perspectiva, de ignorância, de apelação, de nem sem mais do que.
                            Não falo do resultado. Ao contrário, apesar de entender que a Constituição foi ferida de morte sei respeitar uma decisão, mesmo que absolutamente concorde minimamente com ela.
                            Analiso os personagens, desprezíveis, papagaios de pirata, conspiradores, que até homenagem à tortura e aos torturadores tiveram a capacidade de alardear. Não quero dar ibope (ou qualquer outro “instituto”) para estes personagens, até porque a simples menção ao nome traria a sensação frisada no início ainda mais forte. Quero introduzir alguns fatos.
                            Toda a orquestra levou-me ao setor “anos 1960”. De lá extraí um, do Zuenir Ventura, “1968, o que fizemos de nós”. E superficialmente encontrei um pequeno relato que indicava o primeiro brasileiro reconhecidamente “torturado no ventre”.
                            A mãe grávida, torturada por 36 horas ininterruptas, como forma preliminar de “arrancar qualquer confissão”, estrategicamente agredida em partes onde, em tese, não forçaria a morte ou o aceleramento do parto, viu-se após o inevitável rompimento da bolsa infestada de baratas, que, disse ela, “perderam a vergonha”, tendo hora marcada para ir ao banheiro ou mesmo sendo obrigada a urinar em frente aos soldados sob uma pequena lata.
                            A criança nasceu com a saúde comprometida, sem falar nas consequências psicológicas tanto dela quanto da mãe a partir de todo o episódio.
                            Porém isso, para muitos, acreditem, “foi necessário”, porque fazia parte de uma limpeza, a qual em nada perdeu para os áureos campos que sustentaram o nazismo.
                            Foi isso que emergiu com mais potência para mim naquele dia. Foi muito ruim.
NO FIM
                            O antigo leite de magnésia para o combate.
 
                           
                           

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