CUIDADOS
Sempre que falamos de paixões todo
cuidado é pouco, especialmente para que a opinião não seja utilizada como
munição pelos raivosos.
A guerra civil conhecida como Revolução
Farroupilha, e como todos sabem, foi uma ação oligarca. Os interesses sempre
estivem bem definidos, ou seja, os grandes proprietários buscavam cegamente
seus objetivos, como, aliás, não poderia ser diferente.
Todavia, não se pode olvidar, que a
revolução foi alicerçada monetariamente e essencialmente no comércio de
escravos, aos quais foi prometida alforria no caso de vitória sobre o Império.
Igualmente é verdade que a Batalha (ou
traição) dos Porongos, conflito derradeiro na guerra, foi uma ação combinada e
que determinou o massacre dos conhecidos Lanceiros Negros. Com isso, a promessa
abolucionista seria relativizada. Tudo orquestrado.
O jornalista e professor Márcio Cavalli,
em recente coluna para um jornal de grande circulação, disse: “... O Amor às coisas do Rio Grande não se formou nos combates e não se
sustenta por epopeias de versões montadas. Por isso, celebremos a Semana do
Gaúcho sem perpetuar como feitos gloriosos os interesses de meia dúzia de
estancieiros que quiseram que o Rio Grande se associasse às suas causas ...”.
O Rio Grande
do Sul, sua história e tradição, é muito, mas muito maior que uma guerra, que,
aliás, foi perdida, e que, por tudo, não deveria ser cultuada como paradigma
até mesmo nas linhas do Hino.
Evidente que o Gaúcho, que é o que efetivamente
interessa, é um contestador, um desbravador, um corajoso e muito mais. Contudo,
todos os adjetivos não merecem permanecer gravitando sob a fumaça de uma guerra
que, definitivamente, não é, ainda hoje, corretamente contada.
NO FIM
Viva o povo gaúcho.
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