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sexta-feira, 27 de abril de 2012


METAMORFOSE



                            Numa conversa livre, sob a sombra das árvores que ainda habitam as praças centrais da cidade, após pequenas inserções de um e de outro, chegou-se a inevitável conclusão: o período é propício e propenso as metamorfoses.



                            Com a chegada do outono, que para mim é a estação mais espetacular de todas, as convergências naturais se encaminham para o reflexo da queda floral, para tudo retornar após o sempre nebuloso inverno.



                            Nesta perspectiva surge a metamorfose. Ano a ano, por evidente, a troca de estações traz consigo todos os efeitos correspondentes. Agora, em anos de metamorfose, o câmbio aparece nas praças, nos clubes, nos bares, nas festas e até mesmo nos velórios.



                            Eles, os protagonistas da metamorfose, estão mais vivos do que nunca, agora inclusive cumprimentando “de mão pegada”. Como a vida é bela!



                            O sorriso forçado, o tapinha nas costas, a conversa mais alongada, tudo faz parte do show. A única situação a ser evitada é que deste circo você seja tão somente o palhaço, apesar da imensurável grandeza deste, quando em sua essência.



                            Tem as metamorfoses que de tanto ser já não são mais. A mudança é gritantemente amplificada, que a alteração de estados nem mais é sentida ou percebida.



                            Dentro da verdadeira e genuína enciclopédia de variações, sob o alimento erudito também de Kafka, vejo nas metamorfoses atuais duas, em especial, que ultrapassam a linha do desprezo visual. Não no sentido humano da ação, porque a isso poucos gostariam de absorver. Mas, na razão da nova e terrível aparência, que talvez nunca tenha sido alterada, mesmo tendo a mudança ocorrida sistematicamente.



                            Somente a enologia para responder a todas as questões, entre as que especialmente envolvem a natureza humana.



NO FIM



                            Correta a decisão do STF quanto a autorização de rompimento da gravidez com feto anencéfalo. Agora, dizer que isso não é aborto em razão de que se trata de um ser que não é um ser vivo, bom aí não há a menor chance de concordância, humildemente.   












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