METAMORFOSE
Numa conversa livre,
sob a sombra das árvores que ainda habitam as praças centrais da cidade, após
pequenas inserções de um e de outro, chegou-se a inevitável conclusão: o
período é propício e propenso as metamorfoses.
Com a chegada do
outono, que para mim é a estação mais espetacular de todas, as convergências
naturais se encaminham para o reflexo da queda floral, para tudo retornar após
o sempre nebuloso inverno.
Nesta perspectiva
surge a metamorfose. Ano a ano, por evidente, a troca de estações traz consigo
todos os efeitos correspondentes. Agora, em anos de metamorfose, o câmbio
aparece nas praças, nos clubes, nos bares, nas festas e até mesmo nos velórios.
Eles, os protagonistas
da metamorfose, estão mais vivos do que nunca, agora inclusive cumprimentando “de mão pegada”. Como a vida é bela!
O sorriso forçado, o
tapinha nas costas, a conversa mais
alongada, tudo faz parte do show. A única situação a ser evitada é que deste
circo você seja tão somente o palhaço, apesar da imensurável grandeza deste,
quando em sua essência.
Tem as metamorfoses
que de tanto ser já não são mais. A mudança é gritantemente amplificada, que a
alteração de estados nem mais é sentida ou percebida.
Dentro da verdadeira
e genuína enciclopédia de variações, sob o alimento erudito também de Kafka,
vejo nas metamorfoses atuais duas, em especial, que ultrapassam a linha do
desprezo visual. Não no sentido humano da ação, porque a isso poucos gostariam
de absorver. Mas, na razão da nova e terrível aparência, que talvez nunca tenha
sido alterada, mesmo tendo a mudança ocorrida sistematicamente.
Somente a enologia
para responder a todas as questões, entre as que especialmente envolvem a
natureza humana.
NO
FIM
Correta
a decisão do STF quanto a autorização de rompimento da gravidez com feto
anencéfalo. Agora, dizer que isso não é aborto em razão de que se trata de um
ser que não é um ser vivo, bom aí não há a menor chance de concordância, humildemente.
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