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terça-feira, 1 de novembro de 2016

ASILO




 

                            Passeava em ritmo de férias pelas ruas de uma antiga praia de nosso litoral, analisando especialmente as consequências e os estragos de uma forte chuva que castigou toda a região, quando me deparo com uma casa que abrigava idosos.

                            Parei. Olhei com mais atenção, focando e focado para vencer a miopia e o que enxergo? Sob uma fina réstia de sol se aglomeravam senhores e senhoras; a maioria em cadeira de rodas ou embaixo de cobertas pesadas. Alguns de tocas. Alguns dormindo. Outros olhando para o nada.

                            Era um abrigo para idosos. Um asilo humilde. Talvez municipal; talvez mantido por alguma instituição. Não sei. Só vi que estavam ali muitos.

                            Pensei na possível história de cada um: abandono, pobreza, doença, descaso, solidão. Sei lá, tanta coisa me passou que fiquei com a imagem durante todo o dia, ali, presente e martelando.

                            Apesar de conhecer situações excepcionais que não deixam alternativas, acho que um local desses, sejam para abrigar pessoas humildes ou mesmo os que comportam mais luxo, é uma forma de descarte.

                            Repito. À exceção de situações particularmente excepcionais, não consigo aceitar a entrega de um avô, de uma avó, de um pai, de uma mãe ou qualquer outro sob a sua tutela para terceiros, considerando tal encaminhamento para um asilo, abrigo ou mesmo qualquer outro nome, mesmo pomposo.  

                            A opção é extrema. As consequências para todos, mesmo àqueles que neguem, será vitalícia.

                            A conta virá.

NO FIM

                            Para pensar.

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