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quinta-feira, 21 de julho de 2016

TIA PECÚNIA




 

                            Expressão utilizada por Anthony Burgess no livro Laranja Mecânica, “tia pecúnia” é sinônimo de dinheiro, como por aqui ainda pode ser o “pila”, na referência ao político Raul Pilla, à época da Revolução Constitucionalista.

                            A “tia pecúnia” ou o “pila”, especialmente a sua falta ou seu desvio pelos ralos imundos que canalizam a corrupção, levam a cenas chocantes que tive o desprazer de visualizar nos últimos dias.

                            Nada a ver, apesar do evidente e também crime, com eventos terroristas na Europa, Oriente Médio, mas com a desocupação de uma área em Porto Alegre, determinada judicialmente, de um sem número de pessoas, incluindo especialmente crianças.

                            Tais infantes, menores em tenra idade, dormiram ao relento, sob colchões, sofás, encostados entre si, tentando fazer frente ao medonho e intenso frio que assola nosso estado este ano.

                            As imagens vieram: menores descalços, vestindo roupas de sabe lá de quem, muito maiores que seus corpos; alguns com toucas, igualmente desproporcionais, sem meias, num cenário que remeteu às guerras, ao resultado de um conflito com extremas consequências humanas.

                            Porém, não! Estava tudo acontecendo no Rio Grande do Sul, terra do “pila” e dos “grandes feitos”.

                            Sinto muito. Não sei quem eram àquelas pessoas. Não sei também o motivo pelo qual tudo estava acontecendo daquela forma e oportunidade. Sim, o respaldo deveria ser judicial. Mas, por quê? Por que aquilo acontecia exatamente daquela forma? Sabe-se, eu sei, que tudo sempre acontece desta forma.

                            Que a “tia pecúnia” e o “pila” pudessem evitar isso tudo. Não podem.

NO FIM

                            É sofrimento.

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