Expressão utilizada
por Anthony Burgess no livro Laranja Mecânica, “tia pecúnia” é sinônimo de dinheiro, como por aqui ainda pode ser
o “pila”, na referência ao político
Raul Pilla, à época da Revolução Constitucionalista.
A “tia pecúnia” ou o
“pila”, especialmente a sua falta ou seu desvio pelos ralos imundos que
canalizam a corrupção, levam a cenas chocantes que tive o desprazer de
visualizar nos últimos dias.
Nada a ver, apesar
do evidente e também crime, com eventos terroristas na Europa, Oriente Médio,
mas com a desocupação de uma área em Porto Alegre, determinada judicialmente,
de um sem número de pessoas, incluindo especialmente crianças.
Tais infantes,
menores em tenra idade, dormiram ao relento, sob colchões, sofás, encostados
entre si, tentando fazer frente ao medonho e intenso frio que assola nosso
estado este ano.
As imagens vieram:
menores descalços, vestindo roupas de sabe lá de quem, muito maiores que seus
corpos; alguns com toucas, igualmente desproporcionais, sem meias, num cenário
que remeteu às guerras, ao resultado de um conflito com extremas consequências
humanas.
Porém, não! Estava
tudo acontecendo no Rio Grande do Sul, terra do “pila” e dos “grandes feitos”.
Sinto muito. Não sei
quem eram àquelas pessoas. Não sei também o motivo pelo qual tudo estava
acontecendo daquela forma e oportunidade. Sim, o respaldo deveria ser judicial.
Mas, por quê? Por que aquilo acontecia exatamente daquela forma? Sabe-se, eu
sei, que tudo sempre acontece desta forma.
Que a “tia pecúnia”
e o “pila” pudessem evitar isso tudo. Não podem.
NO FIM
É sofrimento.
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